O Presidente norte-americano, Donald Trump, adiou indefinidamente a aplicação de tarifas sobre produtos agrícolas e peças de automóveis do México e Canadá, entre outros produtos abrangidos pelo acordo de comércio livre T-MEC.

Em comunicado, pouco depois do anúncio por Trump da imposição de tarifas pelos Estados Unidos aos seus parceiros comerciais, a Casa Branca não explicou a duração da moratória nem deu pormenores sobre os motivos da sua decisão.

A 4 de março, Trump impôs tarifas de 25% sobre as importações do Canadá e do México, mas estabeleceu uma moratória de um mês, que terminava, esta quarta-feira, sobre os produtos provenientes destes dois países abrangidos pelo acordo de comércio livre T-MEC.

Este inclui desde produtos agrícolas a peças de automóveis ou certos tipos de maquinaria.

Se tivessem começado a aplicar, esta quarta-feira, direitos aduaneiros aos produtos abrangidos pelo T-MEC, este tratado seria efetivamente anulado, e os Estados Unidos decidiram não o fazer, informou a Casa Branca.

Trump anunciou, esta quarta-feira, a imposição de “tarifas recíprocas” sobre importações, incluindo de 25% sobre todos os automóveis estrangeiros.

“Não vai ser [reciprocidade] total… podíamos cobrar o total [de tarifas aplicadas por outros países]… vamos cobrar metade”, disse Trump, que exibiu uma tabela com o nível das barreiras comerciais e não comerciais sobre produtos norte-americanos em vários países e mercados e o que Washington vai passar a cobrar a partir de quinta-feira.

De acordo com a referida tabela, a China aplica tarifas de 67% sobre produtos norte-americanos e os seus produtos passam a pagar 34% para entrar nos Estados Unidos; os países da União Europeia (UE) passam a pagar 20% de tarifas, metade de 39% de barreiras comerciais e não comerciais estimadas.

Para aceder ao mercado norte-americano, os produtos do Japão passam a pagar 24%, os da Índia 26%, de Taiwan 32% e do Vietname 46%.

Ao Reino Unido e Brasil passam a ser aplicados 10%, correspondentes ao aplicado aos produtos norte-americanos, disse ainda Trump.

“Chamamos a isto recíproco simpático”, disse Trump, que frisou que “gostaria” de aplicar “reciprocidade total”.

Os direitos aduaneiros específicos de cada país ou bloco económico, como a UE, começarão a ser aplicados a partir de 09 de abril, afirmaram à imprensa funcionários da Casa Branca.

A tarifa-base de 10% começará a ser aplicada mais cedo, no sábado, 05 de abril, segundo estas fontes citadas pela EFE.

As tarifas de 25% sobre os automóveis estrangeiros, que afetam em grande medida os países da UE, entrarão em vigor a partir da meia noite desta quarta-feira, disse Trump no jardim da Casa Branca, com diversas bandeiras dos Estados Unidos em pano de fundo e na presença do vice-Presidente e dos principais membros do governo, incluindo os secretários de Estado e da Defesa.

Nem o México nem o Canadá figuram na tabela divulgada pela Casa Branca.

No entanto, as importações provenientes de ambos os países, os dois maiores parceiros comerciais dos EUA, continuarão a estar sujeitas a uma tarifa de 25%, para além de outra tarifa de 25% sobre o aço e o alumínio, o que fará subir o preço destes materiais para 50%.

Além disso, o petróleo e o gás que o Canadá importa para os EUA estão sujeitos a uma tarifa de 10%.  

Continue a ler este artigo no Correio da Manhã.


Publicado

em

,

por

Etiquetas: