Incêndios florestais na Patagónia geram críticas às medidas de austeridade de Milei

Os incêndios florestais na Patagónia destruíram uma área com mais do dobro do tamanho de Buenos Aires e estão a gerar críticas às medidas de austeridade de Javier Milei, Presidente da Argentina, que reduziram significativamente os recursos de ajuda.

Na quinta-feira, o Governo anunciou que declararia estado de emergência nas províncias de Chubut, Rio Negro, Neuquén e La Pampa, no sul do país, para ajudar a libertar fundos para combater as chamas alimentadas pelas altas temperaturas, ventos fortes e um défice de chuva que se tornou crónico nos últimos 15 anos.

Os incêndios florestais são comuns na Patagónia durante os meses de Verão, mas os incêndios deste ano atingiram o Parque Nacional Los Alerces, um Património Mundial da UNESCO famoso pelas suas árvores alerce [uma conífera do Sul do Chile e dos Andes argentinos, também chamada de cipreste-da-Patagónia], que podem viver mais de 3600 anos, tornando-as a segunda espécie de árvore com mais longevidade do mundo.

Os incêndios florestais actuais estão concentrados na província de Chubut, onde os bombeiros lutam contra ventos fortes e altas temperaturas. O governo de Chubut afirmou que mais de 44.515 hectares foram destruídos até agora. Os primeiros incêndios florestais da temporada começaram em Dezembro.

Dados do programa europeu de observação da Terra Copérnico confirmam que os incêndios em Chubut são os piores dos últimos 20 anos. As emissões cumulativas de dióxido de carbono (CO2, o principal gás com efeito de estufa) neste período de Janeiro são também muito mais elevadas em relação à média dos últimos 20 anos, aproximando-se de 1,6 milhões de toneladas – quando a média nem chega a 100 mil toneladas.

Cortes “motosserra”

O Governo de Milei tem adoptado uma política orçamental agressiva, apelidada de cortes de gastos “motosserra”, e grupos ambientalistas têm criticado os cortes orçamentários que reduziram significativamente os fundos para prevenção e resposta a incêndios florestais.

Área coberta de fumo durante um incêndio em Cholila, na província de Chubut, na Argentina, em 28 de Janeiro de 2026

O Orçamento da Argentina para 2026 reduziu os fundos para o Serviço Nacional de Gestão de Incêndios em 71% em termos reais, em comparação com o ano anterior, de acordo com a FARN, um grupo local sem fins lucrativos.

“Estes incêndios são absolutamente previsíveis”, afirmou Ariel Slipak, economista da FARN, acrescentando que o governo de Milei deu prioridade a um orçamento equilibrado “a todo o custo”, em detrimento dos fundos de emergência.

O Ministério da Segurança da Argentina anunciou na quinta-feira que iria alocar cerca de 69 milhões de dólares para apoiar os esforços de combate aos incêndios.

Alterações climáticas são “uma mentira socialista” para Milei

Javier Milei já se referiu anteriormente às alterações climáticas como uma “mentira socialista”, o que lhe valeu críticas de activistas ambientais.

Homem cercado da árvores queimadas após um incêndio em Cholila, na província de Chubut, Argentina, em 28 de Janeiro de 2026

O seu Governo afirmou que também está a considerar retirar-se do Acordo de Paris, o principal pacto climático mundial, seguindo o exemplo do Presidente dos EUA, Donald Trump, um aliado próximo de Milei.

“Continuar a negar ou subestimar os efeitos das alterações climáticas, sobre os quais a ciência e o movimento ecológico há muito alertam, é uma irresponsabilidade política que será paga pelas florestas e pela população”, afirmou Hernan Giardini, da organização Greenpeace na Argentina, num comunicado.

A área queimada já ultrapassou os cerca de 32.374 hectares de floresta patagónica queimados durante a temporada de incêndios do Verão passado, de acordo com a Greenpeace.

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