Humorista condenado na Rússia por piadas sobre Jesus

stanin, de 29 anos, foi acusado de incitar o ódio e a animosidade contra outras pessoas e de ofender os sentimentos dos fiéis ortodoxos, acusações previstas no código penal russo, segundo o portal Mediazona.

O tribunal Meshansky de Moscovo aplicou ainda uma multa de 300 mil rublos (3.312 euros) ao condenado.

“Não, não compreendo”, disse Ostanin da cela de vidro quando o juiz lhe perguntou se compreendia as implicações da sentença.

Num depoimento perante o tribunal na segunda-feira, durante a sua “declaração final”, Ostanin rejeitou todas as acusações e proclamou a sua inocência, embora tenha pedido desculpa se as piadas publicadas nas redes sociais tivessem ofendido alguém.

“Não foi intencional nem deliberado”, afirmou.

O condenado alegou ainda ter sido espancado numa floresta quando foi detido pelas forças de segurança bielorrussas em março de 2025, quando tentava atravessar a fronteira. Afirmou ainda que o ameaçaram de morte e partiram-lhe uma vértebra.

Ostanin, que foi incluído na lista de extremistas e terroristas, ficou impossibilitado de contactar a sua família durante nove meses, enquanto estava em prisão preventiva.

“Espero que nunca ninguém passe por uma injustiça jurídica tão cruel como a que eu passei”, disse, questionando a origem e os motivos dos informadores e das testemunhas de acusação.

Segundo a defesa do humorista, “as piadas não tinham a intenção de causar danos ou qualquer tipo de ameaça”, sendo a acusação infundada.

O procurador, que tinha requerido uma pena de prisão de cinco anos e onze meses para Ostanin, considerou como agravante o facto de estes crimes terem sido cometidos no âmbito de uma organização criminosa, enquanto os fatores atenuantes foram os problemas de saúde crónicos do arguido e o seu trabalho humanitário.

Ostanin insistiu que criou e apresentou sozinho as piadas.

De acordo com a defesa, a pessoa com deficiência sobre a qual Ostanin fez a piada nunca lutou na Ucrânia, como alegaram inicialmente as organizações ultranacionalistas russas, mas sobrevive há anos a pedir esmola no metro.

O humorista fez a piada em dezembro de 2024 num clube no centro de Moscovo, sendo acusado por uma organização pró-Kremlin de se ter rido de um soldado “que perdeu as pernas na guerra”.

Durante o julgamento, várias pessoas testemunharam ainda que o artista tinha escarnecido de Jesus Cristo durante uma atuação.

Desde a “missa punk” do grupo musical Pussy Riot, há mais de dez anos, ofender os sentimentos dos fiéis é punível com pena de prisão na Rússia, de acordo com o artigo 148 do código penal.

Os comediantes reconhecem que, desde o início da guerra na Ucrânia, é proibido fazer piadas sobre o governo, a religião e a guerra. A isto acresce outro tabu: fazer qualquer menção à comunidade LGBT, considerada extremista no país há anos.

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