
Cientistas da Universidade de Exeter, no Reino Unido, criaram as primeiras traças-da-cera geneticamente modificadas do mundo, capazes de ‘acender’ quando enfrentam infeções ou antibióticos. A inovação promete acelerar a investigação sobre resistência antimicrobiana e reduzir significativamente a utilização de ratos e ratazanas em testes biomédicos.
Uma equipa de investigadores da Universidade de Exeter, no Reino Unido, desenvolveu traças-da-cera geneticamente engenheiradas que funcionam como “sensores vivos” de infeção. Usando ferramentas genéticas originalmente aplicadas em moscas-da-fruta — incluindo a tecnologia CRISPR-Cas9 —, os cientistas produziram larvas que brilham quando o sistema imunitário reage a patogénios ou a antibióticos.
O objetivo é reforçar o combate à resistência antimicrobiana, considerada uma das maiores ameaças à saúde humana global. Ao contrário de muitos modelos de insetos, estas traças sobrevivem à temperatura corporal humana (37 °C) e possuem células imunitárias que respondem a agentes infecciosos de forma semelhante à observada em mamíferos. Isso permite aos investigadores acompanhar, em tempo real, a progressão de infeções num organismo vivo.
Segundo a equipa, a nova abordagem oferece uma alternativa mais rápida, escalável e eticamente sustentável aos modelos tradicionais baseados em roedores. Só no Reino Unido, estima-se que cerca de 100 mil ratos sejam utilizados anualmente em estudos de infeção. Os investigadores calculam que substituir apenas 10% desses ensaios pelas traças modificadas poderia poupar mais de 10 mil animais por ano.
Para facilitar a adoção internacional do método, os cientistas disponibilizaram protocolos e ferramentas através do Galleria Mellonella Research Centre, apoiando dezenas de grupos de investigação na transição para práticas científicas mais éticas e eficientes.
Leia o artigo no site da Universidade de Exeter.
O artigo foi publicado originalmente em CiB – Centro de Informação de Biotecnologia.