O secretário-geral da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), Luís Mira, alerta que se o dique do Mondego “não for reparado a tempo”, poderá “pôr em causa a campanha deste ano para as culturas de Primavera-Verão”. Defende, por isso, que “é necessário que rapidamente se reconstrua o dique para que as culturas se possam fazer”.
Em entrevista à Renascença, Luís Mira insiste no apelo ao Governo para que apure responsabilidades para perceber porque é que ocorreu a rutura do dique. “Segundo diziam os especialistas, foi por falta de manutenção e se vier a confirmar isso, o Estado tem que assumir a sua responsabilidade para com todas as pessoas que tiveram prejuízos devido a essa rutura”, diz.
Tal como já tinha avançado à Renascença no fim de semana, o responsável da CAP mantém que o prejuízo para os produtores poderá “aproximar-se dos mil milhões de euros”, face a “toda esta situação no Mondego”. “Na última semana, o balanço dos prejuízos já apontava para mais de mais de 700 milhões de euros”, mas deverá ainda aumentar.
Luís Mira sublinha que “os apoios europeus nunca chegarão” para responder a este prejuízo, pelo que “tem de haver uma intervenção com o Orçamento de Estado”.
O secretário-geral da CAP volta a lembrar que “quando foi preciso meter dinheiro na TAP ou na banca, o dinheiro apareceu e agora, aqui, está em causa o rendimento e a vida de milhares de famílias, pelo que se espera um tratamento igual”. “Não é para estas pessoas viverem no interior do país e estarem isoladas que não merecem o mesmo enquadramento que mereceu as que trabalhavam na TAP”.
Apoio a agricultores sem seguro
Já sobre a garantia do Ministro da Agricultura de que também os agricultores sem seguro vão receber apoios, Luís Mira diz ser “um bom princípio”, até porque “o Ministro da Agricultura sabe que as seguradoras não cobrem a maioria dos riscos na agricultura em Portugal”, pelo que, afirma, “é necessário investir num sistema de seguros diferente, tal como Espanha já o faz há 40 anos”.
“Aquilo que nos preocupa é que os agricultores em Portugal sejam todos tratados da mesma maneira. Tanto os que vivem em zonas onde foi decretado o estado de calamidade, os que estão ao abrigo da legislação, e também todos aqueles que foram atingidos de uma forma ou de outra por estes fenómenos completamente anormais”, conclui.