
Um dia depois de as negociações acerca do anteprojeto do executivo terem falhado em sede de concertação social, Paulo Raimundo reiterou: “Nem era preciso ter tido o desfecho que teve ontem [segunda-feira] na concentração social para chegar a esta conclusão, mas ontem então foi o fim, acabou. O Governo tem de assumir a derrota, a força e a unidade dos trabalhadores derrotaram o pacote laboral. Ponto final, parágrafo. Não vale a pena estarmos a perder mais tempo com isso”, considerou, lançando uma provocação quanto ao Chega: “É preciso confrontar o Chega com as suas contradições diárias. Se o Governo quiser insistir e se tentar impor, com a ajuda ou a não ajuda de alguma demagogia e de ‘troca-tintismo’ do Chega, se quiser ir por aí, vai. Mas vai ter que assumir as consequências de procurar impor um pacote laboral que está rejeitado”, avisou.
Já sobre se espera que o Presidente da República, António José Seguro, rejeite este projeto caso ele chegue até Belém, depois de ter assegurado que não promulgaria alterações à lei laboral sem acordo na concertação social, Raimundo considerou que “não há nenhuma necessidade” de o chefe de Estado “ser confrontado com uma legislação que está derrotada e rejeitada à partida”.
Pontos de aproximação no custo de vida, políticas públicas e Saúde
O Bloco já reunira com sindicatos, designadamente as centrais sindicais UGT e CGTP. O PCP reunira com a CGTP e sindicatos setoriais, como educação e agricultura, bem como se associara na luta política coletiva para travar o pacote laboral. Os dois partidos estiveram de acordo na proposta para o lay-off a 100% quanto aos afetados pelo mau tempo em Portugal e estão, sabe o DN, em linha consonante em várias matérias nacionais, como o impacto do custo de vida e da inflação, as políticas públicas de habitação e, naturalmente, com uma atenção redobrada à Lei Laboral que pretende ser mudada pelo Governo.
O Bloco tencionará reunir com vários partidos, desde PCP ao PAN, Livre e PS e nesta proximidade procurará pontos de contacto. José Manuel Pureza realçou que o pedido de reunião surgiu numa conjuntura de “ataque” do Governo e da direita.
O bloquista disse ter identificado um conjunto alargado de “pontos de convergência” com os comunistas, nomeadamente na “luta contra a revisão do Código do Trabalho” mas também em matérias relacionadas com o aumento do custo de vida ou a saúde. Pureza também se insurgiu contra conflitos mundiais feitos à margem do direito internacional, matéria na qual os dois partidos convergem.
“Foi esse o sentido desta reunião e saímos daqui com a convicção de que fizemos bem em vir conversar com o PCP”, afirmou, reiterando a notícia que o DN antecipada na segunda-feira.
Pureza foi ainda interrogado sobre se esta reunião era uma consequência de ter rejeitado sectarismos quando foi eleito coordenador nacional do BE, com o bloquista a responder “evidentemente que sim” e a sublinhar que fez questão que a primeira reunião interpartidária da nova direção fosse com o PCP.
O pacto para a Saúde pedido por António José Seguro também teve resposta de Pureza. Novamente de mira apontada à direita, pedindo combate único à esquerda. “Há longos anos que há um pacto para a Saúde, que é o pacto que destrói o Serviço Nacional de Saúde, que o desqualifica e esse é o pacto que tem prevalecido. O BE estará sempre, mas sempre, numa perspetiva que foi aquela que, aliás, uniu António Arnaut e João Semedo: na perspetiva de salvar o Serviço Nacional de Saúde e de o tornar um lugar qualificado no âmbito da democracia portuguesa, o lugar maior da democracia portuguesa”, afirmou.