
Não é, por isso, de estranhar que cerca de 54% da área ardida em Portugal em 2017 tenha ocorrido durante uma onda de calor e sob os ventos fortes causados pelo furacão Ophelia, já em outubro, numa altura em que o país se encontrava em situação de seca. Neste que foi o mais dramático incêndio de que há registo em Portugal, o território nacional devastado pelo fogo representou 41% de toda a área ardida na Europa.
2022 foi, depois de 2017, o ano com mais área ardida na União Europeia, com quase 900 mil hectares afetados. Quase 539 mil hectares arderam nestes cinco países e Espanha liderou os registos. No país vizinho, 82% dos grandes incêndios aconteceram durante três vagas de calor que afetaram o território peninsular e as ilhas Baleares. As Canárias foram afetadas por outras duas ondas de calor. Além de ter sido um ano excecionalmente quente, 2022 foi também um dos mais secos em Espanha – o sexto mais seco desde 1961 e o quarto do século XXI. “Esta situação meteorológica teve uma correlação direta com os maiores incêndios que ocorreram”, refere o relatório anual de 2022 do EFIS – European Forest Fire Information System.
Em 2024 foram registados mais de 419 mil hectares de área ardida em 21 dos países da União Europeia, segundo o relatório de 2024 do EFIS. Mais de 64% deste total (quase 270 mil hectares) aconteceu nestes cinco países mediterrânicos e, entre eles, Portugal foi o mais afetado, com perto de 140 mil hectares ardidos (mais de 120 mil nas regiões Norte e Centro).
O pico dos incêndios na Europa ocorreu em setembro, quando se registaram também os maiores incêndios em Portugal em 2024: a área ardida nesse mês foi de mais de 126 milhões de hectares, 92% do total anual. Embora a maior parte do nosso território estivesse em condições de seca em agosto de 2024, principalmente no Sul, foi já entre 15 e 19 de setembro, no noroeste de Portugal, que ocorreram alguns dos incêndios mais críticos: em Reriz e Gafanhão (Castro Daire) e em Albergaria-a-Velha e Valmaior (Aveiro) arderam mais de 35 mil e 20 mil hectares, respetivamente. Nesses dias, registaram-se fenómenos extremos que já não ocorriam há mais de 25 anos, com humidade do ar muito baixa e ventos fortes e quentes vindos de Este.
O artigo foi publicado originalmente em Florestas.pt.