A antiga Comissária Europeia (2019–2024), Elisa Ferreira, defendeu, na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), que “a manutenção de infraestruturas tem de entrar nas agendas dos poderes públicos como um aspeto inquestionável, devendo ser executada atempadamente”.
A economista, que foi também Eurodeputada e ministra do Ambiente e do Planeamento, falava à margem de uma aula aberta com estudantes do curso de Planning and Real Estate da Universidade de Manchester, instituição com a qual colabora, que se encontravam de visita à região. A sessão, realizada na passada sexta-feira, contou com especialistas nas áreas das inundações em meio urbano e dos incêndios florestais.
Elisa Ferreira sublinhou a necessidade de integrar a manutenção no planeamento financeiro das infraestruturas públicas, defendendo que “quando são feitos orçamentos, é importante introduzir a manutenção de barragens, pontes, túneis e estradas”. Acrescentou que esta deve ser “o primeiro elemento a considerar, antes de avançar para novas obras”, salientando ainda que “cada obra nova deve ter associado um custo de manutenção, que pode ocorrer de três em três ou de quatro em quatro anos”. A este propósito, recordou catástrofes recentes em Portugal, onde houve “pontes que caíram, diques que romperam, entre outros episódios”.
Assim, considerou que os governos e decisores “devem pensar cada vez mais numa lógica preventiva, do que numa lógica reativa”. “É necessário começarmos a pensar melhor o que queremos fazer em termos de políticas públicas e tomar seriamente em consideração, nessas políticas, o que está a acontecer a nível global e europeu”, observou.
Elisa Ferreira abordou os fundos comunitários e o modo como estes podem ser mobilizados para a prevenção de catástrofes. “Está a chegar muito financiamento e, por isso, é importante que esse dinheiro seja investido prevendo, por exemplo, as alterações climáticas”, defendeu, acrescentando que “é essencial que as políticas públicas se preocupem com o território, porque o país é população e território”.
Dando como exemplo as cheias que assolaram o país nos primeiros dois meses do ano, Elisa Ferreira referiu que “é importante que não se construa em áreas que já se sabe que vão ser inundadas” e ainda que “nos núcleos urbanos e fora deles, é necessário preparar a urbanização”. “Não podemos ter apenas políticas de reação; precisamos igualmente de políticas preventivas”, concluiu.
Elisa Ferreira é economista e professora universitária, com um percurso destacado na política nacional e europeia. Foi ministra do Ambiente e do Planeamento em Portugal, deputada à Assembleia da República e Eurodeputada durante vários mandatos. Entre 2019 e 2024, integrou a Comissão Europeia como comissária responsável pela Coesão e Reformas, com intervenção na gestão de fundos estruturais e na promoção da convergência entre regiões. Mantém atividade académica e intervenção pública nas áreas da economia, políticas públicas e desenvolvimento territorial, procurando “partilhar conclusões, reflexões e experiências” que teve oportunidade de adquirir ao longo da vida.
GCI UTAD
O artigo foi publicado originalmente em UTAD.



