Assistimos ao aparecimento de inúmeras “startups” no setor. Elas ocupam grandes eventos, fazem feiras, têm locais de incubação, movimentam somas de dinheiro impressionantes e estão a ocupar-nos as noticias e o nosso espaço televisivo… Mas o que é afinal uma uma startup?
Tal como uma semente de uma grande árvore uma startup é uma semente de uma grande empresa. Se tudo correr muito bem será grande e valerá muito dinheiro mas tudo poderá durar pouco tempo e não passar de um projeto muito curto e com pouco ou nenhum impacto.
Para ser uma startup é preciso reunir 3 ingredientes:
1- Uma boa ideia.
2- Uma boa equipa
3- Um bom plano de execução
Estes 3 ingredientes tem de ser muito especiais, são eles que fazem a diferença entre fracassar ou poder ter sucesso.
A ideia
A ideia deve ser tão única quanto possível, deve conter um ingrediente especial que constitua uma vantagem competitiva face aos concorrentes existentes e deve ter o máximo de valor para o mercado. A ideia tem de ser facilmente e rapidamente vendável em todo o mundo, sem esta condição não existe uma startup.
A equipa:
A equipa é essencial para uma startup. Deve ser constituída por pessoas motivadas e perseverantes e devem ser pessoas com algum tipo de recursos financeiros ou como vim a descobrir estar disposta a trabalhar muito tempo sem receber dinheiro.
O plano de execução:
O plano de execução tem de ser bom e ter em vista o “domínio do mundo”. O objetivo de uma startup deve passar por um dia vir a ser adquirida por outra empresa maior e esse plano deve estar muito bem detalhado em termos de recursos e tempos necessários para que tal aconteça.
A startup na sua fase inicial “seed stage” tem geralmente como principal objetivo arranjar financiamento para executar o seu plano.
Nesta fase procura um investidor através da apresentação de um “pitch” que é uma breve apresentação da sua ideia, equipa e a forma de execução.
O investidor que decide investir na startup geralmente oferece uma quantidade de dinheiro que permita a execução do plano e em troca fica com uma percentagem da futura empresa.
Sendo um investimento de alto risco pode perder tudo ou ser enormemente compensado. Os valores normais são múltiplos de 2 ou 3 mas a titulo de exemplo posso enumerar um investidor da Uber que investiu 300 mil dolares em 2010 e que passados 6 anos realizou um múltiplo superior a 4300. (Isto é o seu investimento valeu-lhe 1,3 biliões de dolares).
O valor da startup é decidido em função de alguns parâmetros como:
– Potencial de mercado.
– Qualidade da ideia, equipa e plano de execução
– Concorrência.
– Estado de desenvolvimento do projeto.
– Propriedade industrial.
O valor decidido em fases iniciais é altamente subjetivo e muito especulativo. O valor decidido determina a quantidade da empresa que o investidor detém por contrapartida do dinheiro que investiu. Por exemplo uma startup que levante 200mil euros a uma valorização de 1 milhão irá dar 20% do seu capital aos seus investidores.
A startup vai sempre tendo de gerir 2 tipos de negócios diferentes.
Por um lado vender os seus produtos, por outro vender-se a si própria como empresa. É normal depois de ter levantado a primeira fase de investimento, chamada “seed capital”, seguirem-se novas fases com valorizações crescentes, chamadas round A, round B…
O setor agrícola é um dos setores onde o aparecimento de startups cresceu enormemente. Tal actividade deve-se a um conjunto de oportunidades e desafios que o setor apresenta e para os quais a tecnologia será a solução. Muitas irão morrer ou transformar-se em pequenas empresas (falhando assim os seus propósitos) outras irão vencer e tornar-se em gigantes.
Portugal tem um património de startups enormes e que se pode transformar num grande património capaz de gerar emprego e atrair capital externo para o pais.
Mesmo sabendo que o caminho é duro, que são enormes os riscos e que as probabilidades de sucesso são baixas decidimos montar a trigger.systems. A trigger dedica-se à gestão e optimização de recursos para o setor agrícola (água, energia, fertilizantes, humanos, equipamentos e outros). A trigger implementa sistemas de gestão e operação capazes de reduzir custos e ineficiências em mais de 20%. Inicialmente com 3 funcionários já somos mais de 20 e estamos presentes fisicamente em 3 países. Inicialmente sem clientes ou dispositivos conectados contamos já com mais de 2500, crescemos a um ritmo elevadíssimo e ainda na fase Seed levantamos um valor recorde de financiamento nacional e internacional.
Na experiência de construir uma start-up descobri que apesar dos enormes riscos e o longo período sem qualquer ordenado a experiência é um excelente desafio e um otimo processo de formação e aprendizagem.
As probabilidades de sucesso iniciais são inferiores a 3% mas é possível vingar e afinal de contas é 4 milhões de vezes mais provável que ganhar o euromilhões!
Francisco Manso
CEO – Trigger Systems
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