
A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) está a alertar as populações do Algarve para a necessidade de adotarem comportamentos de precaução nos próximos dias, devido às descargas controladas em várias barragens da região. A precipitação intensa associada à tempestade Francis levou a um aumento significativo dos níveis de armazenamento de água, obrigando à libertação de excedentes em vários aproveitamentos hidráulicos.
Depois de quase uma década marcada por seca severa, a reposição acelerada das reservas trouxe também riscos localizados, sobretudo em zonas ribeirinhas e junto às infraestruturas de descarga. De acordo com o Jornal de Notícias, a APA sublinha que as operações decorrem sob vigilância técnica, mas exige atenção redobrada da população.
No último domingo, dia 4 de janeiro, começaram a libertar água à superfície nas barragens de Odeleite e do Beliche. Segundo a mesma fonte, estas descargas resultam da superação da capacidade normal de armazenamento, após vários dias de chuva persistente.
Outras infraestruturas entraram em operação semelhante. Escreve o jornal que as barragens do Funcho, do Arade e de Odelouca estão igualmente a realizar descargas controladas, acompanhadas pelas equipas técnicas da APA.
A exceção que pode deixar de o ser
Entre os principais aproveitamentos do Algarve, apenas a barragem da Bravura ainda não iniciou a libertação de água. Acrescenta a publicação que esta situação poderá alterar-se a curto prazo, caso se confirme a previsão de nova precipitação nos próximos dias.
“A barragem da Bravura é a única que ainda não iniciou este procedimento, mas poderá avançar nos próximos dias”, esclarece a APA, apontando a evolução meteorológica como fator decisivo.
Recomendações claras à população
Apesar de garantir que todo o processo está a ser conduzido em segurança, a APA reforça a importância do cumprimento das normas básicas de autoproteção. Refere a mesma fonte que a entidade acompanha a situação “de forma contínua” e em articulação com outras autoridades.
A principal recomendação passa por evitar a permanência em zonas ribeirinhas e nas imediações dos órgãos de descarga das barragens. Estas áreas podem registar subidas rápidas do caudal, mesmo quando as operações decorrem de forma controlada.
Um cenário raro após anos de seca
Para a APA, o atual contexto representa uma mudança significativa no ciclo hidrológico regional. Segundo o Jornal de Notícias, a entidade classifica este momento como “marcante para a gestão da água no Algarve”, após cerca de 10 anos de escassez prolongada.
As barragens da região registam agora níveis elevados de armazenamento, resultado direto da precipitação acumulada nas últimas semanas. Esta recuperação reforça a segurança hídrica, embora exija uma gestão prudente para minimizar impactos locais.
Vigilância mantém-se nos próximos dias
A APA garante que continuará a monitorizar a evolução da situação, ajustando as descargas sempre que necessário. Acrescenta a entidade citada pelo Jornal de Notícias que qualquer alteração relevante será comunicada às autoridades locais e à população.
Até lá, o apelo mantém-se: prudência, respeito pelas sinalizações e afastamento das zonas potencialmente afetadas. Estas medidas simples são consideradas essenciais para garantir a segurança enquanto decorrem as operações nas barragens algarvias.
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