PDR 2020 teve 16 reprogramações em nove anos. Nenhuma empresa consegue sobreviver se tiver, em nove anos, 16 reprogramações ao seu programa estratégico. Tiveram ainda quatro gestores diferentes”, apontou o presidente da CAP, Álvaro Mendonça e Moura, numa audição parlamentar na comissão de Agricultura.
Por sua vez, o Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC) já conta com quatro reprogramações.
“Meus senhores, por amor de Deus, entendam-se e auscultem o setor”, pediu.
A CAP pediu também que os anúncios estejam abertos em continuo, evitando milhares de candidaturas que não se concretizam e que foram submetidas porque os agricultores não sabiam quando e se estes voltariam a abrir.
Por outro lado, a confederação defendeu que quem cria os programas tem de acompanhá-los e conhecer as suas diferentes alterações.
“Não pode o Gabinete de Planeamento do Ministério da Agricultura criar o programa e não ter conhecimento das alterações porque é outro que o executa. Meus senhores, ponham a casa em ordem”, vincou.
Na mesma audição, requerida pelo Chega e pelo PCP, Augusto Ferreira, da Confederação das Cooperativas Agrícolas e do Crédito Agrícola de Portugal (Confagri), criticou a enorme “falta de transparência” no Estado, sublinhando que esta não é forma de lidar com entidades com as quais se estabelecem protocolos de delegação de tarefas.
“Um exemplo claro foi o que se passou com o Pedido Único, em que fomos insistindo com o IFAP [Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas] para saber o ponto de situação dos controlos de campo e o IFAP foi empurrando com a barriga, deixando os produtores em desigualdade face aos que já tinham o relatório carregado”, apontou.
Contudo, Augusto Ferreira disse ter esperança de que possam existir mudanças no modo de atuação do IFAP, após alterações no instituto, referindo-se à entrada do novo presidente, Luís Souto Barreiros.
O diretor-geral da Associação dos Jovens Agricultores de Portugal (AJAP), Firmino Cordeiro, lamentou que o Ministério da Agricultura venha quase sempre a aparecer em último no organograma do Governo e que os problemas do setor sejam sempre empurrados.
Firmino Cordeiro lembrou que o setor agrícola está envelhecido, com a idade média dos agricultores nos 64 anos.
“Ou assumimos este setor como estratégico para o país ou assistimos ao abandono progressivo dos territórios”, alertou.
Já o dirigente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) Pedro Santos pediu ao Governo maior previsibilidade nos ápios e simplificação da carga burocrática para uma melhor execução.
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