Mais de um mês depois de terem juntado cerca de 10 mil agricultores em Bruxelas, o setor está de novo na rua, contra as novas regras propostas para a Polícia Agrícola Comum (PAC). Desta vez o protesto está convocado para a cidade francesa de Estrasburgo.
A marcha terá início às 9h30 (hora de Portugal continental), na Praça de Bordéus, e termina em frente ao Parlamento Europeu.
Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui
Mais uma vez são esperados manifestantes dos vários Estados-membros da União Europeia, incluindo portugueses. A CAP – Confederação dos Agricultores de Portugal já fez saber que estará presente.
O presidente da confederação, Álvaro Mendonça e Moura, diz à Renascença que o impasse mantém-se e as promessas continuam por concretizar.
“Estamos num impasse porque, até agora, não houve nenhuma evolução concreta, houve promessas, mas o que está ainda em cima da mesa é uma proposta que é muito negativa para o conjunto da agricultura europeia e é especialmente negativa para países como Portugal, com menores disponibilidades orçamentais”, explica.
Em causa está a redução do orçamento para a agricultura dos países mais pequenos, como Portugal. “Isto para nós é inaceitável”, sublinha.
As propostas da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, inserem-se no quadro financeiro plurianual e na reforma da PAC, entre 2028 e 2034. Segundo os agricultores, Portugal fica a receber menos dinheiro e fica com um corte superior à média europeia.
O setor reclama ainda a prometida simplificação das regras burocráticas da PAC. “A comissão fala muito em simplificação, mas até agora ainda não vimos nada e os agricultores passam mais tempo a preencher papéis do que a tratar da agricultura”, diz Álvaro Mendonça e Moura.
O presidente da CAP reafirma que o acordo UE/Mercosul é positivo, nomeadamente para os agricultores portugueses, mas exige que as salvaguardas que estão incluídas sejam respeitadas. “As cláusulas de salvaguarda são indispensáveis para o equilíbrio do acordo”, defende.
Do vinho ao azeite, passando pelo queijo ou as frutas, muitos setores saem beneficiados por este acordo. “Passa a ser automaticamente proibido usar denominações como vinho do porto ou azeite do Alentejo nos países do Mercosul, isso é muito importante para evitar falsificações e cópias”, explica Álvaro Mendonça e Moura.