Ficou conhecido como o “último rio selvagem” de Portugal. Assim o foi até há uma década quando foi dominado pela “mãe de todas as barragens”. Nasciam os Lagos do Sabor, que foram tendo direito também a praias fluviais.
Alargando-se a quatro concelhos – Macedo de Cavaleiros, Mogadouro, Torre de Moncorvo, Alfândega da Fé -, os lagos vão ter agora mais uma praia graças a este último município.
A praia fluvial de Santo Antão da Barca já está a ser construída, com a preparação dos terrenos e construção de acessos do santuário até à praia. Será ainda construída uma piscina flutuante e um ancoradouro, para barcos.
A praia deve o nome ao santuário local, que ficava originalmente na margem direita do rio, na freguesia da Parada, informa a autarquia. A última construção teria mais de dois séculos, mas a barragem do Baixo Sabor “submergiu todo aquele espaço”. Já a “capela foi trasladada praticamente na íntegra, uma vez que se recuperaram as pinturas murais que nela existiam”. “O novo edifício”, adianta a autarquia, “encontra-se agora a meia encosta, relativamente perto do antigo local, com uma paisagem esplendorosa proporcionada pelos lagos do Sabor e pelas montanhas envolventes que a nova altitude permite observar”.
Quanto ao projecto da praia, esta começou a ser construída há cerca de três meses e, segundo disse à Lusa, o presidente do município de Alfândega da Fé, Eduardo Tavares, prevê-se que esteja concluída no Verão de 2027. Apenas o cais será construído numa fase posterior.
Dinamizar o turismo e as actividades náuticas são os pilares da empreitada, que terá um custo de 900 mil euros, dos quais 750 mil são financiados pela empresa Movhera, como contrapartida ambiental, pela construção da barragem, e o restante suportado pelo município.
A construção da praia fluvial é o resultado de um plano de desenvolvimento socioeconómico dos municípios dos Lagos do Sabor, Alfândega da Fé, Torre de Moncorvo, Macedo de Cavaleiros e Mogadouro, que consiste na criação de infra-estruturas de apoio ao turismo e ao usufruto da água dos lagos.
Há uma década que o projecto é reivindicado. De acordo com o autarca, e também presidente da Associação de Municípios do Baixo Sabor, Eduardo Tavares, desde 2016 que tentam o licenciamento da empreitada.
“Esteve três anos na Agencia Portuguesa do Ambiente (APA) para ser licenciado. Depois, também tivemos problemas de financiamento, porque houve uma transição deste aproveitamento hidroeléctrico da EDP para a Movhera, e também houve uma derrapagem muito grande, porque havia projecções iniciais que apontavam para 400 mil euros de investimento, mas, quando fizemos o projecto de execução, o valor duplicou e foi preciso convencer a APA e a Movhera que era preciso reforçar o acordo inicial que tínhamos, e isso ainda demorou algum tempo”, explicou.
Os Lagos do Sabor, com uma extensão de 70 quilómetros, são resultado da construção da barragem do Baixo Sabor, que está em funcionamento desde 2016.