Após uma década de seca severa na região, as precipitações dos últimos 11 dias trouxeram quase 30 milhões de metros cúbicos de água às albufeiras, equivalente a 40% do consumo urbano anual.
Loading…
Cinco das seis barragens da região do Algarve estão a realizar descargas para encaixar as chuvas previstas para os próximos dias. O presidente da Agência Portuguesa do Ambiente afirma que se trata de uma situação histórica, depois de uma década em que o Algarve foi fustigado pela seca.
A descarga é de fundo e deverá manter um fluxo moderado nos próximos dias. Ainda assim, será suficiente para engrandecer e devolver vida a uma ribeira que, normalmente, estaria seca.
Ninguém se recorda, por aqui, da última vez que viu a Barragem do Beliche a debitar em dezembro, por receio de não aguentar as chuvas que aí vêm. As precipitações dos últimos 11 dias trouxeram já a esta e às outras cinco albufeiras do Algarve quase 30 milhões de metros cúbicos de água.
Um volume equivalente a 40 por cento do consumo urbano da região ao longo de um ano inteiro.
Uma década a “contar gotas”
Foram mais de dez anos a contar gotas para lidar com a seca. Ainda há um ano, as reservas garantiam água apenas para alguns meses. De março até agora, o Algarve está, pela segunda vez, a debitar água em excesso nas barragens.
A Barragem do Arade, em Silves, começou esta quarta-feira a descarregar. Está perto dos 70 por cento da capacidade, mas acautela o encaixe de nova descarga em perspetiva a montante. A albufeira do Funcho já apresenta um armazenamento de 84 por cento.
Odeleite, em Castro Marim, na casa dos 90 por cento, deverá iniciar descargas esta sexta-feira. Odelouca, a maior barragem da região, encontra-se nos 82 por cento. A decisão de descarregar vai depender das chuvas esperadas no arranque do ano.
A única, para já, fora da perspetiva de abrir comportas é a Barragem da Bravura, em Lagos.
Esteve anos no vermelho e está agora perto dos 60 por cento da capacidade. No total, a capacidade de armazenamento das seis albufeiras da região já atinge os 81 por cento. Há 12 meses, estava nos 34 por cento.