Americanos proibiram os carros de entrar nesta ilha e o cavalo é o meio de transporte utilizado

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No estado norte-americano do Michigan existe um território onde os automóveis não circulam e onde os cavalos continuam a dominar o quotidiano. Trata-se da Ilha Mackinac, uma pequena área situada no Lago Huron que, em 2026, mantém uma regra singular: os motores de combustão interna estão proibidos e a mobilidade depende sobretudo de animais e bicicletas.

Com cerca de 3,8 quilómetros quadrados, a ilha tem aproximadamente 600 habitantes permanentes. De acordo com o portal NiT, o número de cavalos existentes é praticamente igual ao de residentes, criando um cenário pouco habitual no país e tornando Mackinac um caso quase único no sistema rodoviário norte-americano.

O dia a dia numa ilha sem carros

Para quem visita o local, a ausência de veículos motorizados é imediatamente perceptível. Segundo a mesma fonte, em Mackinac encontra-se uma estrada considerada a única autoestrada dos Estados Unidos onde é estritamente proibido conduzir automóveis, incluindo carrinhos de golfe.

No quotidiano, tanto residentes como turistas deslocam-se sobretudo a cavalo ou de bicicleta. A mesma fonte refere que é comum encontrar ruas repletas de bicicletas estacionadas, sinal de que este meio de transporte se tornou uma alternativa prática num território onde os motores não entram.

Animais asseguram tarefas essenciais

Os cavalos não são apenas uma atração turística. Muitos serviços básicos da ilha continuam a depender deles. Carroças especialmente adaptadas percorrem as ruas para recolher lixo e materiais recicláveis. Depois de recolhidos nas casas e nos estabelecimentos comerciais, esses resíduos são transportados até uma instalação local onde são preparados para posterior envio para o continente.

Além da gestão de resíduos, os animais são utilizados para transporte de pessoas, entrega de encomendas e diversas tarefas logísticas necessárias ao funcionamento da comunidade.

Decisão que mudou o rumo da ilha

A proibição de carros remonta ao final do século XIX. Apesar de hoje ser uma regra consolidada, os veículos chegaram a circular na ilha durante um curto período. Segundo a publicação, em 1898 um automóvel sofreu um problema no escape e o ruído acabou por assustar os cavalos que viviam na região. O episódio levou as autoridades a decidir que os motores de combustão interna deveriam ser banidos do território.

A medida acabou por permanecer em vigor até hoje e nunca mais foi revertida, mantendo Mackinac praticamente livre de veículos motorizados desde então.

Turismo cresce à volta desta singularidade

A peculiaridade da ilha tornou-se também um dos principais motivos de interesse para visitantes. Milhões de turistas chegam todos os anos, muitos deles curiosos para conhecer um local onde o ritmo de vida é marcado pelo som das ferraduras nas ruas.

A proximidade com Mackinaw City e St. Ignace facilita a viagem. Conforme a mesma fonte, ambas as cidades ficam a cerca de 20 minutos de ferry, permitindo ligações regulares ao longo do ano. Hunter Hoaglund, funcionário de uma empresa que opera esse serviço marítimo há cerca de 140 anos, descreveu a sensação de chegar ao local numa declaração citada pela BBC: “Sem os cavalos, este lugar não seria o que é. É o que nos faz sentir como se tivéssemos voltado atrás no tempo quando desembarcamos do barco e ouvimos aquele clip-clop”.

Um território marcado pela natureza e por invernos extremos

Grande parte da ilha permanece preservada. De acordo com a NiT, cerca de 80 % do território integra o Parque Estadual da Ilha Mackinac, uma área natural com trilhos, florestas antigas e pontos de interesse como o Arco de Pedra, uma formação calcária com cerca de 15 metros de largura.

A própria origem geológica da ilha é antiga. Segundo a mesma fonte, acredita-se que Mackinac tenha sido moldada há cerca de 13.000 anos, quando o recuo dos glaciares da última era glaciar provocou variações no nível das águas e esculpiu as formações rochosas da região. Apesar do ambiente natural e da tranquilidade associada ao local, o clima pode ser exigente. Acrescenta a publicação que os invernos costumam trazer temperaturas que podem atingir os 15 graus negativos e acumulações de neve que chegam a cerca de 2,5 metros.

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