Arroz – o caminho para valorizar a produção nacional é a diferenciação do produto e a união da fileira

Como inverter a tendência, valorizando a produção nacional?

 A resposta está em saber comunicar a diferenciação do nosso arroz carolino, de modo que haja uma valorização efetiva para a produção nacional, e na união de toda a fileira em torno deste desígnio.

“Há trabalho a fazer entre a produção e a indústria para valorizar as variedades de carolino que aportam valor (…) nunca seremos competitivos com variedades indiferenciadas”, defendeu Mário Coelho da indústria Novarroz, acrescentando: “não tenho dúvidas de que assim que a distribuição alimentar se envolver no trabalho de promoção dos carolinos, o seu consumo em Portugal aumentará”.

Apostar na rotulagem, explicando ao consumidor de onde vem, como é produzido e a qualidade do arroz nacional e, por fim, investir em campanhas de promoção é essencial.

A APED, entidade que representa a grande distribuição, respondeu afirmativamente ao desafio: “Há espaço para educar o consumidor, para mais literacia sobre o arroz nacional. Podem contar connosco para fazer uma campanha, tal como já fazemos no setor da batata”, disse Gonçalo Lobo Xavier, diretor-geral da APED.

Um excelente exemplo é a primeira variedade de arroz 100% português que já chegou às prateleiras dos supermercados Continente: “o arroz CARAVELA vai ser o motor de sensibilização para o consumo de arroz nacional”, garantiu Ondina Afonso, presidente do Clube de Produtores Continente.

A parceria entre produção, indústria e distribuição, potenciando a investigação nacional, é o caminho para valorizar o arroz nacional. Vasco Borba, orizicultor e membro da direção da AOP, sublinhou a relevância do trabalho realizado pelas organizações de produtores: “concentrando no fundo a procura conseguimos ter custos mais reduzidos (…) a indústria hoje em dia já vê os agrupamentos como parceiros, no entanto, a falta de uma bolsa de preços bem definida dificulta a negociação de preços justos”. Nesse âmbito, foram apontadas ideias como implementar uma lista de variedades recomendadas, para as quais a indústria poderia ter preços indicativos comunicados antecipadamente à produção. “Será importante, porque perdemos muito dinheiro em 2024, não podemos ter outro ano como este, senão fechamos as portas”, reconheceu Vasco Borba.

No campo, o agricultor precisa de novas tecnologias digitais para uma gestão mais eficiente da cultura do arroz, tais como a Granular Link.ag, a nova app de agricultura digital da CORTEVA, apresentada por Jorge Martinez, Digital & Innovation CORTEVA. Monitorizar as culturas através de imagens de satélite, compreender a sua variabilidade na parcela, e gerar mapas de prescrição mais precisos para sementeira, fertilização e aplicação de produtos fitofarmacêuticos a taxa variável, são algumas das potencialidades desta app.

O Estado tem igualmente um papel importante a desempenhar no apoio da produção nacional de arroz, contribuindo para a soberania alimentar de Portugal. Uma das medidas que a AOP apresentou ao Ministério da Agricultura, e que poderá vir a ser incluída na 4ª proposta de reprogramação do PEPAC, é o apoio à recuperação agronómica dos canteiros de arroz. Esta pressupõe fazer pousio nas áreas mais afetadas pela resistência das infestantes, bem como implementar gradagens ou falsas sementeiras, entre outras boas práticas.

“Hoje deu-se aqui um passo muito importante que é a comunicação entre os vários elos da cadeia de valor da fileira do arroz para encontrar as soluções para o futuro…temos que estar juntos para no dia a dia encontrar o algoritmo ideal para sermos sustentáveis e economicamente viáveis”, afirmou Pedro Pinho, CEO da Suporte Agrícola Lda, orador da mesa-redonda sobre o futuro da fileira, resumindo o propósito bem-sucedido deste evento.

O artigo foi publicado originalmente em APH.


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