Publicado em 2 de Abril, 2025
As cidades de Castelo Branco, na região Centro de Portugal, e de João Pessoa, no nordeste do Brasil, formalizaram, no dia 13 de março, um “Acordo de Geminação” para distribuírem “conhecimentos, recursos e tecnologias, promovendo a prosperidade mútua para as suas comunidades”. A expetativa, segundo apurámos, é que a parceria “seja duradoura”.
O ato foi celebrado numa sessão solene de assinatura ocorrida no Salão Nobre dos Paços do Município de Castelo Branco e foi promovido pelo presidente da Câmara Municipal local, Leopoldo Rodrigues, e pelo prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena Filho.
De acordo com estes dois responsáveis, a colaboração é vital entre as “duas cidades irmãs, cuja ligação surgiu no âmbito da Rede de Cidades Criativas da UNESCO, na Categoria de Artesanato e Arte Popular”.
O acordo de Geminação “pretende o fortalecimento das relações bilaterais, o reforço das parcerias comerciais e industriais, através de projetos e intercâmbios, proporcionando oportunidades para negócios inovadores e estabelece a cooperação em diversas áreas”, como artes populares e artesanato, intercâmbio cultural, iniciativas para jovens e educação, tecnologia e inovação, saúde e bem-estar, sustentabilidade ambiental, desporto e atividades recreativas, turismo e promoção regional, resiliência e gastronomia.
Leopoldo Rodrigues fez uma breve apresentação do concelho albicastrense, enumerando as suas principais caraterísticas, as suas potencialidades e os elementos patrimoniais da região, com destaque para o bordado de Castelo Branco, as obras de Manuel Cargaleiro, a natureza e os produtos endógenos.
“Este é o primeiro passo para aprofundarmos a relação entre Castelo Branco e João Pessoa, em diferentes domínios, seja na Cultura ou no Artesanato, enquanto elemento central, seja em elementos econômicos, tendo em vista o progresso das terras”, assinalou o autarca.
Este autarca disse ainda que a sua cidade está disponível “para interagir com o município de João Pessoa, que se encontra em forte expansão económica e demográfica, além de tentar perceber as suas dinâmicas para continuarmos a lutar no sentido de contrariar a tendência de saída dos mais jovens e conseguir a permanência dos que têm mais idade”.
Ao final do discurso, Leopoldo Rodriguês acentuou que “temos muitas expetativas nesta relação com João Pessoa e naquilo que ela possa trazer para todos”.
Já o prefeito de João Pessoa revelou a sua “satisfação e honra nesta geminação que tem motivo nas raízes e na Cultura” e frisou que “a partilha da língua [portuguesa] vai favorecer esta ligação”.
Este responsável também enalteceu os pontos fortes de João Pessoa, capital do estado da Paraíba, com cerca de 800 mil habitantes e que, nos últimos seis anos, ganhou mais 126 mil habitantes e destacou três áreas: tecnologia, educação e habitação.
O político brasileiro acredita que o acordo vai facilitar “a vinda de empresários para cá” e “potenciar o que aqui há”, com o objetivo primordial de “melhorar a vida dos que cá moram”.
A sessão solene da assinatura do “Acordo de Geminação” terminou com a entrega de lembranças, em especial de um exemplar do Bordado de Castelo Branco.
Estiveram presentes, além das autoridades citadas e integradas à comitiva brasileira: a esposa do prefeito, Lauremilia Lucena, a presidente de honra do Programa do Artesanato Paraibano, Ana Maria Lins, a secretária de Estado do Turismo e Desenvolvimento Económico da Paraíba, Rosália Borges Lucas e vários empresários.
Note-se que o acordo de ‘Cidades Geminadas’ é mais um ato de união entre Portugal e Brasil para atração empresarial e melhoria de vida dos moradores por meio de uma série de iniciativas.
Castelo Branco comemora reconhecimento nacional do seu bordado tradicional
O Município de Castelo Branco congratulou-se com a decisão do instituto Património Cultural de Portugal, tornada pública no dia 20 de fevereiro, de aprovar a inscrição do Bordado de Castelo Branco, “autêntico símbolo identitário do concelho albicastrense”, após candidatura apresentada pela Câmara Municipal em 2023.
O despacho publicado em Diário da República frisa a importância da “manifestação do património cultural imaterial e respetivo saber-fazer, com destaque para as bordadeiras” e “os processos sociais e culturais nos quais teve origem e se desenvolveu esta arte até aos dias de hoje”.
Também vinca a necessidade da preservação do Bordado de Castelo Branco, face às “ameaças e os riscos suscetíveis de comprometer a viabilidade futura deste saber-fazer, pondo em risco a sua transmissão intergeracional”.
Segundo informações oficiais, a Câmara Municipal de Castelo Branco tem concebido uma série de iniciativas no sentido de estudar, preservar e divulgar o Bordado de Castelo Branco, afirmando-o como um ativo fundamental no contexto das estratégias de desenvolvimento local, promovendo a coesão e a identidade municipal.
“É neste âmbito que deve ser entendida a ação do Centro de Interpretação do Bordado de Castelo Branco, do Museu da Seda ou do Museu Francisco Tavares Proença Júnior, equipamentos culturais que procuram dar a conhecer as matérias-primas, o saber-fazer e a história desta produção. Esta arte reúne características que a tornam única e distinta entre os vários bordados, como a utilização de matérias-primas nobres: a seda e o linho artesanal. Os seus desenhos apresentam uma simbologia própria, como a árvore da vida, os pássaros, os cravos, as rosas, os lírios, as romãs ou os corações”, defendeu a autarquia.
Os motivos que caracterizam o Bordado de Castelo Branco refletem-se noutras áreas, além dos têxteis. Os passeios da cidade apresentam exemplos originais na calçada portuguesa e existem prédios que ornamentam as suas fachadas com os símbolos do Bordado de Castelo Branco, tornando-o no ex-libris da capital da Beira Baixa.
A importância e o peso cultural inquestionável do Bordado tornaram Castelo Branco Cidade Criativa da UNESCO, na categoria Artesanato e Artes Populares, em 2023.
Atualmente, o Bordado de Castelo Branco é reconhecido internacionalmente e a sua presença no Museu Victoria & Albert Museum, em Londres, assim como na Catedral de Manchester, são exemplos que atestam a excelência desta arte.
O artigo foi publicado originalmente em Gazeta Rural.