Barragens do Monte da Rocha e Santa Clara quase cheias

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A chuva registada nos últimos dias levou a um aumento substancial da água armazenada nas barragens do Monte da Rocha e de Santa Clara, que há um ano apresentavam níveis bastante reduzidos.

No caso do Monte da Rocha, no concelho de Ourique, de acordo com os dados da Associação de Regantes e Beneficiários de Campilhas e Alto Sado (ARBCAS), a barragem registava hoje um volume de armazenamento de 62,8%, equivalente a 64,340,000 metros cúbicos (m3) de água.

“No fundo, estamos a assistir à alteração de um ciclo de seca para um ciclo húmido”, indica ao “CA” o diretor-adjunto da ARBCAS, Ilídio Martins.

De acordo com este responsável, os volumes de água armazenados garantem a atividade agrícola na região por “alguns anos”, até porque este recurso é “cada vez gerido de uma forma mais criteriosa”.

“Este período de seca obrigou-nos a mudar o paradigma e, cada vez mais, a utilização é mais eficiente. Penso que a partir de agora vamos ter água por muitos anos”, frisa.

No concelho de Odemira, a barragem de Santa Clara registava nesta terça-feira, 3, um volume de armazenamento de 78%, ou seja, 379.421.530 m3 de água.

“Evidentemente que a acumulação deste volume armazenado deixa-nos satisfeitos, na medida em que nos permite encarar o futuro com mais tranquilidade”, diz o diretor-executivo da Associação de Beneficiários do Mira (ABM), Carlos Chibeles.

Esta realidade, continua, garante que o abastecimento de água a partir de Santa Clara esteja “assegurado” nos “próximos dois ou três anos”, além de poder vir a possibilitar o levantamento de algumas restrições no seu uso para a agricultura.

“A maior disponibilidade de hídrica levará, certamente, à revisão dessas restrições em face das disponibilidades que temos atualmente”, afirma.

A chuva dos últimos dias pode estar a encher as barragens, mas também tem causado alguns prejuízos aos agricultores, reconhecem os dirigentes das duas associações.

“Aqui temos muita horticultura de área livre e, de facto, com esta precipitação e com este nível de encharcamento dos terrenos, é praticamente impossível fazer as operações culturais que são importantes fazer nesta altura”, indica Carlos Chibeles, da ABM.

Por sua vez, Ilídio Martins, da ARBCAS, afiança que “os campos mais baixos estão todos alagados”  e que “algumas searas de inverno não vão aguentar este número de dias de alagamento.

“É bom termos as albufeiras cheias, mas gostaríamos que fosse de uma forma diferente. São muitos dias de chuva e era bom que houvesse agora uma abertura de alguns dias, para que as pessoas pudessem trabalhar e recuperar aquilo que ainda não está estragado”, conclui.

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