barragem de Castelo de Bode, no centro do país, começou esta manhã a fazer descargas, para aliviar a sua pressão.
Apesar do excesso de água e risco de inundações em todo o país, a barragem em questão atingiu a sua quota máxima e torna-se por isso imperativo que abra as suas portas, de modo a aliviar a pressão.
Imagens filmadas na Barragem de Castelo de Bode, situada nos concelhos de Abrantes e Tomar, mostram como a força da água é expelida, de forma impactante. Há quem considere “lindo”, como quem considere a situação “assustadora”.
A abertura da barragem, contudo, aporta consequências para o rio Zêzere e, consequentemente, para o rio Tejo, havendo já, recorda a SIC Notícias, pré-aviso de cheias, estando as regiões de Coruche, Almeirim e Santarém em risco elevado.
Segundo o mesmo canal é, neste momento, impossível para o rio Zêzere reter mais água, pelo que o rio Tejo terá de acolher alguma. Note-se que esta manhã, a zona ribeirinha de Lisboa já sofreu uma inundação.
Há muito que não se via barragens tão cheias
A situação é semelhante um pouco por todo o país e prova disso são imagens partilhadas em diversas redes sociais, que mostram como os níveis de água em barragens e rios de todo o país estão a atingir níveis como há muito não era visto.
A barragem de Bagaúste no Peso da Régua também esteve a realizar descargas, este domingo.
Recorde-se que se esperam ainda mais dias de chuva intensa esta semana, pelo que a situação preocupa população e autoridades competentes.
Este domingo, o Comando de Emergência e Proteção Civil de Lisboa e Vale do Tejo antecipou a manutenção da subida dos caudais no rio Tejo e afluentes, associada às condições meteorológicas, alertando alerta para a possibilidade de ocorrência de inundações em zonas urbanas, causadas pela acumulação de águas pluviais por obstrução dos sistemas de escoamento, bem como cheias, potenciadas pelo transporto do leito dos cursos de água e ribeiras.
No Alqueva, as descargas foram controladas e interrompidas na sexta-feira à tarde, porque o nível de armazenamento foi controlado, Porém, ficou o alerta de que a operação pode vir a ser retomada nos próximos dias.
A última operação de descargas controladas nesta barragem, situada entre Portel, no distrito de Évora, e Moura, no distrito de Beja, tinha sido efetuada em 2013, também para gerir o volume de água da albufeira, que se aproximou da capacidade máxima de armazenamento (antes disso tinha acontecido por mais duas vezes).
Já a barragem da Aguieira está abaixo da cota de referência e com muita capacidade de retenção de água. Porém, para que isso acontecesse, registou-se um aumento do caudal do rio Mondego.
“Provocámos pequenas cheias controladas para não termos uma cheia descontrolada”, sublinhou o presidente da APA, que alertou também para o aumento dos caudais de rios que não têm monitorização, como o Ceira e o Alva, afluentes do Mondego.
Já a presidente da Câmara de Coimbra anunciou que no caso da evacuação de localidades nas margens do Mondego, entre Coimbra e Figueira da Foz, as pessoas já têm locais para pernoitar e se alimentar.
Prolongada situação de calamidade
A situação de calamidade foi prolongada, este domingo, até ao dia 8 de fevereiro.
A decisão foi tomada pelo Conselho de Ministros extraordinário, que aprovou medidas para responder aos efeitos da tempestade Kristin e proteger as populações afetadas.
Além dos concelhos já abrangidos, passaram a estar em situação de calamidade os municípios de Águeda, Albergaria-a-Velha, Alcácer do Sal, Aveiro, Estarreja, Ílhavo, Murtosa, Ovar e Sever do Vouga, tendo em conta a existência ou o risco extremo de cheias.
Antes do alargamento, a situação de calamidade já abrangia 60 concelhos, sobretudo da região Centro e Oeste, incluindo Coimbra, Leiria, Santarém e Torres Vedras.
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