Barro Negro de Molelos já é Património Cultural Imaterial

O “Processo de Produção do Barro Negro de Molelos” já está inscrito no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial. A classificação foi publicada esta quarta-feira (02 de abril) em Diário da República, sob proposta do Departamento dos Bens Culturais do Património Cultural, após candidatura apresentada pela Câmara Municipal de Tondela.

O anúncio destaca “a importância da manifestação do património cultural imaterial” referente à louça preta e “respetivo saber-fazer enquanto prática identitária da comunidade dos oleiros”, mas também “os processos sociais e culturais nos quais teve origem e se desenvolveu esta arte até aos dias de hoje” e “a relevância da manifestação para o desenvolvimento sustentável nos territórios onde se pratica”.

A candidatura a património imaterial nacional tinha sido apresentada pelo Município de Tondela em junho de 2023.

“Este é o culminar de um importante trabalho de mérito desenvolvido pelo Município, com o apoio da Junta de Freguesia de Molelos e a colaboração dos nossos sete oleiros e ceramistas e que vem afirmar ainda mais a louça preta de Molelos, que é atualmente a maior comunidade ativa de barro negro em Portugal”, afirma Carla Antunes Borges, presidente da Câmara de Tondela.

O projeto há muito desejado por todos os oleiros e poder local surge integrado na estratégia definida pelo município que, no presente mandato, assumiu como prioritários, na área da cultura, o conhecimento, a salvaguarda e a valorização do património cultural, natural e humano locais.

O pedido de inscrição no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial vem reconhecer a relevância que esta atividade tem quer na economia local, quer no fator identitário do território.

“Esta classificação é determinante para a preservação e valorização deste património ancestral, onde a Soenga se constitui como forte elemento identitário. Com a inscrição no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, o barro negro de Molelos, deixa de ser um bem desta freguesia ou do concelho de Tondela e passa a ser um património nacional, que terá de ser protegido por todos”, refere.

“A inscrição do barro negro vem também reconhecer o trabalho e o esforço dos nossos oleiros e ceramistas que ao longo de décadas lutam por manter viva esta tradição secular, fazendo dela o seu modo de subsistência”, salienta ainda Carla Antunes Borges.

Com esta classificação do processo de fabrico da louça preta, Tondela passa a ter dois bens inscritos no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial. O primeiro a ser distinguido foi a “Festa das Cruzes do Guardão” que integrou a lista do património imaterial português a 9 de janeiro deste ano.

“O município não podia estar mais satisfeito. Com o barro negro passamos a ter dois bens inscritos na Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial. Esta inserção é o corolário de um trabalho intenso, também dos serviços da autarquia, na luta pela preservação e valorização da nossa cultura e pelas manifestações que temos de mais genuínas. Continuamos a batalhar pela promoção do território, das nossas gentes e da nossa cultura, por isso estamos a concluir também a candidatura das Construções de Pedra Seca do Caramulo ao Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, num processo a que se juntaram também os municípios vizinhos, e que estamos certos também culminará da melhor forma”, conclui a autarca.

Molelos tem atualmente em atividade sete oleiros que mantêm viva esta tradição secular e que fazem da localidade o principal centro da olaria negra em Portugal.

O Barro Negro local é desde março de 2024 um produto artesanal certificado, estando inscrito no Registo Nacional de Produções Artesanais Tradicionais Certificadas (RNPATC). Este processo também foi liderado pela Câmara Municipal de Tondela.

O artigo foi publicado originalmente em Gazeta Rural.


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