Campo de Tiro vai de Alcochete para Alter do Chão, anunciou Nuno Melo, com o apoio da Câmara

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O Campo de Tiro da Força Aérea, que terá de sair de Alcochete para permitir a construção do novo aeroporto de Lisboa, vai ser transferido para uma área de 7.500 hectares no concelho alentejano de Alter do Chão, anunciou o ministro da Defesa, Nuno Melo, esta quarta-feira, acrescentando como garantia o apoio local, ao apresentar-se com o presidente daquela câmara, Francisco Miranda (PSD), ao seu lado na conferência de imprensa.

O ministro da Defesa não estabeleceu datas para a concretização do projeto, mas admitiu que tudo terá de ser feito com “urgência”, para permitir a desmilitarização do Campo de Tiro de Alcochete, e garantir que o novo aeroporto esteja concretizado em 2034.

Sem adiantar os custos estimados para a transferência desta unidade da Força Aérea – que serão suportados pelo Estado e não pela ANA, a concessionária do novo aeroporto – Nuno Melo realçou que o “projeto não é imposto” e não surge com a “carga conflituosa” que haveria se tivesse sido escolhido o concelho de Mértola, como chegou a ser equacionado. Esta foi uma opção estudada por outros governos, e que tinha a oposição da câmara e da população.

“O que vamos fazer é por acordo, uma vantagem para todos, e com o cumprimento de todas as regras”, avançou o ministro da Defesa, elogiando a “inteligência e a visão” do autarca de Alter do Chão.

Para Nuno Melo, um dos argumentos favoráveis a esta opção é o “dinamismo” que a unidade militar leva a um concelho desertificado, que terá novas “vias de comunicação”, assim como “espaços para habitação dos militares e das suas famílias que terão de ser concretizados em loteamentos na região”. Serão cerca de 200 de famílias de militares que irão trabalhar e viver num concelho com pouco mais do que três mil habitantes, “nele residindo, ajudando a dinamizar o comércio e os serviços, tendo filhos e outros elementos do agregado a estudar nas escolas, a trabalhar na região”, afirmou o ministro.

“Apesar do carácter de urgência que temos para concretizar esta infraestrutura, isso não invalida um conjunto de procedimentos deliberativos e administrativos até à obra final, nomeadamente estudos de impacte ambiental e outros, especialmente os que recorrem da lei”, explicou ainda o ministro, esclarecendo que “grande parte destes terrenos são públicos, e serão alocados a este propósito”.

Chefes militares garantem proteção ambiental

Esta foi a primeira vez que o ministro da Defesa apareceu em público com o novo chefe do Estado-Maior das Forças Armadas (CEMGFA), general João Cartaxo Alves, e com o novo chefe do Estado-Maior da Força Aérea, general Sérgio Costa Pereira. Ambos garantiram certificação ambiental e cuidados com os resíduos deixados pelos treinos das aeronaves.

O general Cartaxo Alves, que até à semana passada comandava a Força Aérea, explicou que os exercícios já eram executados “fora do âmbito do período dos fogos florestais”, garantindo que “todos os produtos” utilizados no campo de tiro atual já “são certificados ambientalmente” e que o próximo “irá ter também as várias certificações ambientais”. Segundo o CEMGFA, não haverá perturbação da economia local: “As atividades agrícolas que lá decorrem neste momento, como rebanhos e manadas, tudo isso vai continuar, porque a Força Aérea, durante a sua operação sabe os dias em que vai, e pode articular com as atividades dos agricultores e produtores”.

Quanto ao aspeto de uma possível contaminação dos terrenos, Cartaxo Alves explicou que grande parte dos treinos são “simulados” através de “sensores”, o que não anula a necessidade de a Força Aéra ter de fazer “qualificações obrigatórias para o desempenho da missão utilizando também armamento real”. O general garante, contudo, que tal como já acontece em Alcochete, “tudo aquilo que é executado é retirado após a deflagração” e que “todos os pequenos detritos são retirados e tratados ambientalmente”. Se alguma munição não deflagrar ao atingir o solo, “é desativada por equipas especializadas”.

O recém-empossado CEMFA, general Costa Pereira, acrescentou que “o Campo de Tiro de Alcochete tem reconhecimento e certificação ambiental desde 2018” e é “um dos principais contribuintes para se obter da neutralidade carbónica 2050” , registando mesmo que “a atividade cinegética aumenta”, apesar da atividade militar. O general admite que “existe de facto uma necessidade de emprego de armamento real, mas que é muito diminuta, e está completamente controlada”.

Ao contrário do seu colega de Mértola, Mário Tomé (PS) que estava contra a instalação do Campo de Tiro no seu concelho – de resto, já se congratulou -, Francisco Miranda agradeceu a Nuno Melo “a visão estratégica e política” de “transformar a coesão social em prática, com a implementação de infraestruturas desta natureza no interior do país”, mas em Alter do Chão.

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