Candeeiro feito com resíduos de café vence prémio de design inPROJECTA Creative Call

Designer Ana Lima criou luminária que usa a pele de prata resultante da torrefação do café como principal matéria-prima, misturada com cortiça. Empresas expositoras fazem balanço altamente positivo do evento da EXPONOR direcionado para a fileira casa

O principal subproduto da indústria portuguesa de torrefação de café – a chamada pele de prata, um invólucro muito fino e brilhante que protege as sementes do fruto – forneceu a matéria-prima principal e a inspiração para o desenho. E fez-se luz. A designer de produto Ana Lima chamou-lhe “Matter” e conquistou a unanimidade do júri, que distinguiu o candeeiro criado com o galardão maior da 2.ª edição do “Prémio inPROJECTA Creative Call”, iniciativa que é rampa de lançamento para muitos protótipos tentarem singrar no mercado de design de interiores nacional. Que, até ao fim de semana transato, e durante três dias, rumou à EXPONOR – Feira Internacional do Porto para mais uma inPROJECTA – Furniture, Hotel and Interior Design,

A forma e superfície da luminária Matter “reinterpretam o instante em que a última gota de café cai na chávena, gerando ondas concêntricas que se expandem sobre o líquido”, segundo a criadora. Foi essa “micro-topografia efémera”, invisível ao olhar apressado, mas que um globo luminoso revela, que foi fixada e transformada em matéria, natural, e ainda mais, com a incorporação de cerca de 10% de cortiça. O que junta os desperdícios de uma segunda indústria à solução criativa encontrada.

Trata-se, pois, de uma peça statement, “contra a cultura do descartável” e em prol da circularidade que reduz desperdícios, diminui a pegada ambiental e valoriza subprodutos de uma indústria que gera mundialmente cerca de 400 mil toneladas de pele de prata. Um resíduo sem valor acrescentado inicial, mas, inclusive, com elevado teor de fibra solúvel, cafeína e compostos antioxidantes, que, além do mais, têm motivado estudos em Portugal para a sua valorização, designadamente na incorporação em produtos alimentares.

O candeeiro de Ana Lima – que fixa na sua textura, aroma e imperfeição este material enraizado na cultura portuguesa -, é “produzido localmente a partir de blocos cilíndricos, seccionados e esculpidos através de processos que reduzem o desperdício e maximizam o aproveitamento” do principal composto. 

Mas, o evento que a EXPONOR direciona para a fileira casa premiou igualmente, ainda através do “inPROJECTA Creative Call”, o banco “Wabi”, criado pelo designer de produto Rúben Silva, com o 2.º prémio da iniciativa.

A peça, trabalhada manualmente por artesãos portugueses – e combinando técnicas tradicionais de marcenaria (sobre madeira de acácia negra proveniente de florestas geridas de forma sustentável), burel português e corda natural – inspira-se nos princípios de Wabi-Sabi, que valorizam a simplicidade e a beleza natural dos materiais (o acabamento sobre a madeira foi feito com óleos isentos de solventes).

Expositores fazem balanço positivo da inPROJECTA

Plataforma de visibilidade e de networking de um setor muito importante para o cômputo geral das exportações portuguesas, a inPROJECTA 2026 – Furniture, Hotel and Interior Design encerrou portas sob o signo de um balanço muito positivo, por parte da organização, mas, sobretudo, das empresas expositoras.

Para a ARC – Indústria de Mobiliário, empresa de Paredes com um percurso de mais de meio século no setor, a 2.ª edição do certame permitiu “cativar várias oportunidades de negócio, com potencial de concretização para os próximos meses”, segundo Rui Rocha. “Cerca de 80% dos profissionais que passaram pelo nosso stand eram lojistas e 20% representava o segmento de hotelaria. Perto de 50% das encomendas foram de novos clientes”, revelou.

Na perspetiva da Animóvel, há mais de 60 anos a trabalhar a madeira, em Paços de Ferreira, a inPROJECTA possibilitou “confirmar algo que já tínhamos percebido e para o qual temos desenvolvido um esforço comercial redobrado: há mercado nacional muito significativo, inclusive novo – na área de projeto e arquitetura -, e potencial relevante para explorar”, segundo Dualda Machado. “Tivemos muitas encomendas durante a feira e contactos que poderão ser concretizados mais à frente, inclusive internacionais E atendemos clientes com diferentes perfis, logo, o nosso balanço não poderia ser mais positivo”, considerou.

A perspetiva da Maialamp alinhou pelo mesmo diapasão: “A feira correu-nos muito bem e foram três dias muito interessantes! Trabalhámos muito a área de projeto e conseguimos cativar contactos com grande probabilidade de efetivação, sobretudo na área de hotelaria. Uma das oportunidades de trabalho, à medida, poderá levar-nos a um empreendimento em Cabo Verde, mas a participação na feira da EXPONOR permitiu-nos captar outras leads”, afirmou Anabela Borges.

AMR também desenvolveu “bons contactos – qualificados e com potencial de negócio – durante os três dias. Conseguimos reativar clientes e trazer novos, na área de decoração e arquitetura, sobretudo”, explicou Arnaldo Rodrigues.

“Tivemos um ótimo feedback dos profissionais, sobretudo designers, que passaram pelo nosso espaço na inPROJECTA. Sentimos dos contactos feitos que poderemos vir a ter várias encomendas. Tanto de novos clientes como de clientes que já fazem parte da nossa carteira”, salientou, por sua vez, Isabel Garcês, da Newspace – Solid Surface.

Brifour teve igualmente palavras elogiosas sobre a mostra organizada pela EXPONOR: “Foi a nossa primeira participação da inPROJECTA e correu tudo muito bem do ponto de vista organizativo. A participação foi proveitosa. Cativámos bons contactos e com potencial de negócio”, sublinhou Daniel Mota.

Bela Alves, da Tábula Furniture, espera, por isso, que a inPROJECTA “continue a melhorar. O balanço é positivo, pois reunimos contactos interessantes nas áreas de projeto e gabinetes de arquitetura”.

inPROJECTA – Furniture, Hotel and Interior Design estará de regresso à Feira Internacional do Porto em 2027.

O artigo foi publicado originalmente em Gazeta Rural.


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