
Em Moçambique, o pior ainda pode estar para vir. O diretor da Cáritas Diocesana de Maputo, o padre Bernardino Matavele diz à Renascença que as cheias dos últimos dias destruíram os campos de cultivo, o que antecipa a possibilidade de “momentos de muita fome”, num futuro próximo.
O sacerdote adianta que boa parte da população que sofreu com as cheias vive da agricultura, e “os seus campos não têm nada, pois foram destruídos”. “Eles perderam tudo quanto semearam na última campanha agrícola”, acrescenta.
“De facto esperam-se momentos de muita fome porque não haverá os alimentos para garantir a alimentação dessa população”, alerta.
A Cáritas de Maputo já lançou uma campanha de recolha de apoios. E agora pede também à comunidade internacional e em particular aos portugueses que “estendam a mão para ajudar”.
“Lanço o apelo aos nossos irmãos portugueses e a outros tantos que nos escutam a partir da rádio católica portuguesa. Chamo a todos à solidariedade para com estes irmãos que sofrem. E pedimos a todos os portugueses que nos escutam por este meio radiofónico que possam dentro das suas possibilidades estender a mão para ajudar estes nossos irmãos. A vossa ajuda vai ser de grande importância para mitigar a fome e a sede destes nossos irmãos”, reforça.
Nestas declarações à Renascença, o diretor da Cáritas de Maputo insiste no apelo lembrando que muitas pessoas não têm lugar para dormir e alertando para o sofrimento sobretudo das crianças e dos adultos mais vulneráveis.
Segundo dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) há a registar até ao momento 112 mortes na sequência das cheias que deixaram cerca de 40 por cento da província de Gaza submersa.