Chuva faz subir níveis das barragens alentejanas do Monte da Rocha e de Santa Clara

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A precipitação registada nos últimos dias provocou um aumento significativo dos volumes de água armazenados nas barragens do Monte da Rocha e de Santa Clara, no distrito de Beja, que há um ano apresentavam níveis bastante baixos.

No caso da barragem do Monte da Rocha, situada no concelho de Ourique, os dados da Associação de Regantes e Beneficiários de Campilhas e Alto Sado (ARBCAS) indicam que a infraestrutura registava hoje um volume de armazenamento de 62,8%, correspondente a cerca de 64,3 milhões de metros cúbicos de água.

A ARBCAS, sediada em Alvalade, no concelho de Santiago do Cacém, gere igualmente as barragens de Campilhas e de Fonte Serne, ambas neste município do distrito de Setúbal, que apresentavam hoje níveis de armazenamento de 95,3% e 94,2%, respetivamente.

Alteração do ciclo de seca para ciclo húmido

“No fundo, estamos a assistir à alteração de um ciclo de seca para um ciclo húmido”, indicou hoje à agência Lusa o diretor-adjunto da ARBCAS, Ilídio Martins.

A albufeira do Monte da Rocha serve o abastecimento público nos concelhos de Ourique, Almodôvar e Castro Verde, assim como parte dos de Mértola e Odemira, todos no distrito de Beja.

A infraestrutura assegura ainda a rega de cerca de 1.800 hectares (ha) agrícolas nos concelhos de Ourique e Santiago do Cacém, distrito de Setúbal, no âmbito do aproveitamento hidroagrícola do Alto Sado.

De acordo com o diretor-adjunto da ARBCAS, os volumes de água armazenados garantem a atividade agrícola na região por “alguns anos”, até porque este recurso é “cada vez gerido de uma forma mais criteriosa”.

“Este período de seca obrigou-nos a mudar o paradigma e, cada vez mais, a utilização é mais eficiente. Penso que a partir de agora vamos ter água por muitos anos”, frisou Ilídio Martins.

Santa Clara assegura abastecimento e pode aliviar restrições

No concelho de Odemira, distrito de Beja, a barragem de Santa Clara registava hoje um volume de armazenamento de 78%, ou seja, quase 380 milhões de m3.

Além do abastecimento público, esta albufeira serve o Aproveitamento Hidroagrícola do Mira, que abrange uma área de 12.000 ha nos municípios de Odemira e de Aljezur, este no distrito de Faro.

“Evidentemente que este volume armazenado deixa-nos satisfeitos, na medida em que nos permite encarar o futuro com mais tranquilidade”, disse à Lusa o diretor executivo da Associação de Beneficiários do Mira (ABM), Carlos Chibeles.

Esta realidade, continuou, permite que o abastecimento de água a partir de Santa Clara esteja “assegurado” nos “próximos dois ou três anos”, além de poder vir a possibilitar o levantamento de algumas restrições no seu uso para a agricultura.

“A maior disponibilidade de hídrica levará, certamente, à revisão dessas restrições em face das disponibilidades que temos atualmente”, afirmou.

Chuva beneficia reservas, mas prejudica culturas agrícolas

A chuva dos últimos dias pode estar a encher as barragens, mas também tem causado alguns prejuízos aos agricultores, admitiram os dirigentes das duas associações ouvidos pela Lusa.

“Aqui temos muita horticultura de área livre e, de facto, com esta precipitação e com este nível de encharcamento dos terrenos, é praticamente impossível fazer as operações culturais que são importantes fazer nesta altura”, indicou Carlos Chibeles, da ABM.

Por sua vez, Ilídio Martins, da ARBCAS, afiançou que “os campos mais baixos estão todos alagados”  e que “algumas searas de inverno não vão aguentar este número de dias de alagamento.

“É bom termos as albufeiras cheias, mas gostaríamos que fosse de uma forma diferente”, disse.

Segundo o responsável, “são muitos dias de chuva e era bom que houvesse agora uma abertura de alguns dias, para que as pessoas pudessem trabalhar e recuperar aquilo que ainda não está estragado”.

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