CRISPR | Cientistas descobrem como a respiração impulsiona a cor e o amadurecimento do tomate

📸 CRAG

Como é que um tomate obtém a enorme quantidade de energia e de substratos necessários para passar de verde a vermelho? Investigadores do CRAG identificam um regulador chave que poderá revolucionar a produção e conservação de tomates. O estudo mostra que um mecanismo mitocondrial alternativo é o motor que fornece os componentes necessários para que os tomates amadureçam, produzam etileno e adquiram a sua característica cor vermelha.

No Centre for Research in Agricultural Genomics (CRAG), em Barcelona, Espanha, uma equipa de cientistas descobriu um regulador genético fundamental que controla o amadurecimento do tomate, abrindo caminho para frutas mais duradouras e resistentes. O estudo, publicado na revista Plant Physiology, revela a rede de genes que coordena a transição do fruto da fase de crescimento para a fase de maturação.

Liderada pelo investigador do IRTA no CRAG, Igor Florez-Sarasa, com Ariadna Iglesias-Sanchez como primeira autora, a equipa demonstrou que a via mitocondrial conhecida como alternative oxidase (AOX) é o motor principal que impulsiona esta transformação. Os cientistas observaram que a atividade desta via aumenta precisamente quando o tomate começa a mudar de cor, suportando a respiração do fruto durante o amadurecimento.

Usando a tecnologia de edição genética CRISPR-Cas9, os investigadores desativaram o gene AOX1a em plantas de tomate. Os frutos resultantes apresentaram um amadurecimento muito mais lento e alterações nos metabolitos associados a este processo. Em particular, os tomates com deficiência na via AOX não conseguiam acumular aminoácidos essenciais, como aspartato e metionina, necessários para a síntese de etileno, a hormona do amadurecimento.

Este avanço tem potencial para transformar a cadeia alimentar global e combater o desperdício alimentar. Através desta informação genética, produtores e investigadores poderão criar variedades de tomate com maior durabilidade e resistência ao transporte, reduzindo perdas por amadurecimento excessivo antes de chegar aos consumidores e melhorando simultaneamente a qualidade sensorial das frutas.

Num contexto de alterações climáticas e crescente pressão sobre a agricultura, estas características de amadurecimento “inteligente” poderão tornar-se ferramentas essenciais para uma produção alimentar mais sustentável e eficiente.

Leia o estudo em CRAG News.

📸 CRAG

O artigo foi publicado originalmente em CiB – Centro de Informação de Biotecnologia.


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