CRISPR | Cientistas desenvolvem trigo com níveis ultrabaixos de asparagina para reforçar a segurança alimentar.

Investigadores desenvolveu uma nova variedade de trigo com níveis muito reduzidos de asparagina, diminuindo significativamente a formação de acrilamida durante a confeção dos alimentos, sem impacto relevante na produtividade agrícola.

Dra. Navneet Kaur com pão, torradas e bolachas feitos a partir de trigo editado com a tecnologia CRISPR. 📸 Rothamsted Research

 
Cientistas do Rothamsted Research anunciaram o desenvolvimento de um trigo obtido por edição genética que poderá representar um avanço importante na segurança alimentar. A nova variedade apresenta uma redução acentuada de asparagina, um aminoácido naturalmente presente no trigo que, quando sujeito a altas temperaturas durante processos como cozedura, fritura ou torrefação, pode dar origem à acrilamida, uma substância potencialmente nociva.

✍️ Carla Amaro

Para alcançar este resultado, os investigadores recorreram à tecnologia de edição genética CRISPR, desativando de forma precisa genes associados à produção de asparagina. Entre eles destaca-se o gene TaASN2, considerado central neste processo metabólico.

Os ensaios demonstraram reduções muito significativas dos níveis de asparagina nos grãos, podendo atingir valores superiores a 50% em comparação com variedades convencionais, sem prejuízo na produção. Em algumas linhas com múltiplas alterações genéticas, a diminuição foi ainda mais expressiva.

O estudo envolveu várias instituições internacionais, incluindo o Karlsruhe Institute of Technology, o Leibniz Institute for Food Systems Biology, a Technical University of Munich, a University of Reading e a Curtis Analytics Limited.

Os resultados foram também comparados com abordagens tradicionais de melhoramento, como a mutagénese TILLING, que, embora consiga reduzir a asparagina, tende a comprometer o rendimento das culturas. Neste novo trabalho, a edição genética permitiu evitar esse efeito negativo, evidenciando uma maior precisão e eficiência.

Para os investigadores, este avanço demonstra o potencial das novas técnicas genómicas na resolução de desafios complexos na cadeia alimentar. Para além dos benefícios industriais, a redução da acrilamida nos alimentos poderá ter um impacto positivo na saúde pública, ao diminuir a exposição dos consumidores a contaminantes formados durante o processamento térmico.

O desenvolvimento surge numa altura em que o Reino Unido tem vindo a avançar com legislação favorável à utilização de tecnologias de melhoramento de precisão, abrindo caminho à aplicação destas soluções inovadoras na agricultura e na produção alimentar.

Mais informações em Rothamsted Research News.

O artigo foi publicado originalmente em CiB – Centro de Informação de Biotecnologia.


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