
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos concluiu que duas novas variedades de cânhamo editadas pela tecnologia CRISPR não representam risco acrescido para a saúde vegetal. A decisão abre caminho à produção comercial de plantas mais estáveis, sem THC (tetrahidrocanabinol) e resistentes a doenças.
O Serviço de Inspeção Sanitária Animal e Vegetal do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA-APHIS) atribuiu estatuto de não regulamentação a duas novas variedades de cânhamo editadas geneticamente, concluindo que não estão sujeitas às regras federais aplicáveis a organismos com potencial risco fitossanitário.
Desenvolvidas por investigadores da Universidade do Wisconsin-Madison, as plantas foram avaliadas ao abrigo do regulamento 7 CFR parte 340. Segundo a agência norte-americana, não foi identificado qualquer risco acrescido de praga vegetal em comparação com variedades convencionais de cânhamo.
Uma das variedades, designada Badger PMR, apresenta resistência total ao oídio, uma doença fúngica que afeta frequentemente esta cultura. A segunda, Badger Zero, foi editada para não produzir canabinóides psicoativos. A principal inovação reside na inativação genética dos genes responsáveis pela produção de THC (tetrahidrocanabinol), o composto psicoativo associado à canábis.
Recorrendo à tecnologia de edição genética CRISPR, a equipa conseguiu impedir que as plantas ultrapassem o limite legal de THC, fixado nos Estados Unidos em 0,3%. Este problema, conhecido no setor como culturas que “ficam acima do limite”, obrigava frequentemente os agricultores a destruir colheitas inteiras por incumprimento legal.
Para além da eliminação do THC, os investigadores desenvolveram linhas com maior concentração de CBG (canabigerol), um canabinóide não psicoativo com potencial interesse terapêutico. Estas características poderão aumentar o valor económico da cultura e proporcionar maior previsibilidade aos produtores.
A autorização regulatória é vista como um passo importante para acelerar a transição de culturas editadas geneticamente do laboratório para o campo. Especialistas consideram que variedades mais estáveis e legalmente conformes poderão contribuir para revitalizar o setor do cânhamo industrial nos Estados Unidos, oferecendo maior segurança e rentabilidade aos agricultores.
Mais informação no site da Universidade de Wisconsin.
O artigo foi publicado originalmente em CiB – Centro de Informação de Biotecnologia.