também presidente do Chega falava aos jornalistas numa ação de campanha em Torres Vedras, numa empresa agrícola afetada pela intempérie, reagindo às declarações do ministro da Coesão Territorial que, em entrevista à televisão SIC Notícias, disse que as famílias tem o “ordenado do mês passado” para suprir necessidades imediatas.
Para André Ventura, “um ministro com uma responsabilidade ainda por cima na área da coesão territorial dizer simplesmente que as pessoas iam contar com o seu salário do mês passado e que o deviam ter poupado ou algo assim é um insulto às pessoas”.
Citado pelo jornal Expresso, Castro Almeida disse na Sic-Notícias que existe uma norma que garante mínimos de sobrevivência, prevendo um apoio de 537 euros por pessoa ou 1074,26 euros por agregado familiar.
No entanto, confrontado com o facto de esse dinheiro ainda não estar disponível, admitiu que o pagamento só deverá ocorrer “no final deste mês”.
Ainda segundo o Expresso, questionado sobre como devem as famílias lidar com despesas urgentes enquanto aguardam pelos apoios, Manuel Castro Almeida respondeu: “Agora é suposto terem tido o ordenado do mês passado”, acrescentando que “é agora que podem ficar sem condições de sobrevivência”, antes da chegada do subsídio.
André Ventura disse que “a maior parte dos salários dos portugueses não são como o do ministro da Coesão Territorial e, portanto, não podem ficar dependentes do salário do mês passado para se auxiliarem em situações em que deixaram de ter telhado, deixaram de ter luz, deixaram de ter bens essenciais e deixaram de ter água”.
“Este tipo de declarações são nocivas no Estado de Direito e são nocivas no momento em que estamos, em que as pessoas precisam de sentir confiança e precisam de sentir que o Estado português está lá para os apoiar e, pelos vistos, não está”, vincou.
Além dessa crítica a Castro Almeida, André Ventura recordou as declarações “absolutamente incompetentes da ministra da Administração Interna” que disse não saber o que falhou, assim como a visita do ministro da Defesa a Vieira de Leiria, acompanhando de militares.
“Parece que é um desfile de membros do Governo a ver qual deles afronta mais as pessoas, qual deles goza mais com as pessoas”, apontou Ventura.
Para o candidato apoiado pelo Chega, o que se tem visto, “sobretudo da parte do Governo, é gritante do ponto de vista da incompetência”.
Face ao agravamento das condições climatéricas, André Ventura disse esperar que entre hoje e quarta-feira “aconteça aquilo que não aconteceu até agora, que é determinação, transmissão de confiança e que o Estado português esteja lá verdadeiramente para prevenir e para ajudar e não para complicar e para dificultar”.
Questionado sobre se deveria haver demissões face à resposta do Governo, André Ventura considerou que este não é o momento para debater essa possibilidade, considerando, no entanto, que “há uma avaliação que terá que ser feita”.
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