oi novamente tudo pelos ares. Tenho 37 anos e a minha vida talvez tenha mudado para sempre”, disse à agência Lusa Fábio Franco, admitindo que o futuro da Sociedade Agrícola do Vale do Lis é “uma incógnita”.
A sociedade tem dez postos de trabalho, alguns dos quais ocupados por familiares, o que redobra a sua preocupação.
“Tem de haver medidas concretas para que os salários continuem a ser pagos, porque perdemos tudo e temos obrigações financeiras para com a banca”, defendeu, contando que, apesar de as estufas terem sido reconstruídas após o furação Leslie, “não houve capacidade de amortização, nem há, de um investimento destes em sete anos”.
A depressão Kristin destruiu-lhe dois hectares de estufas com alfaces que eram colocadas em Torres Vedras e depois entravam na grande distribuição a nível nacional.
“Perdi a minha produção toda de dentro da estufa e de ar livre e não sei o que fazer aos postos de trabalho”, admitiu.
Revoltado pelo estado de “total abandono” em que considera estar o concelho de Leiria, Fábio Franco pede ao Governo que coloque urgentemente meios no terreno.
“É a zona de Portugal com mais pecuárias, que alimenta o país inteiro com carne de porco e tem os animais neste momento a morrer à fome dentro da floresta. Têm de mandar o Exército desobstruir as estradas e por geradores”, defendeu.
Sem água, sem luz e sem alimentos, Fábio deslocou-se hoje ao Cartaxo para tentar conseguir alguns geradores que possam amenizar a situação.
“Estou no supermercado a comprar pão, atum e bananas e vou levar meia dúzia de geradores que uns amigos me arranjaram aqui no Cartaxo”, contou.
A prioridade será o fornecimento das arcas frigoríficas e também “dispensar alguns para pequenas pecuárias que estão no meio da floresta e onde neste momento os animais estão a morrer à fome e à sede”.
“Não há energia para tirarem a água para os tanques, nem para a alimentação chegar aos comedouros dos animais”, explicou.
Na sua opinião, neste momento “não há qualquer empresário em Leiria com capacidade para fazer o que quer que seja”, uma vez que se trata de “uma situação avassaladora”.
A passagem da depressão Kristin pelo território português, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos seis mortos, vários feridos e desalojados.
Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.
Leiria, por onde a depressão entrou no território do continente, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.
O Governo anunciou que vai decretar situação de calamidade nas zonas mais afetadas pela tempestade.
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