A Montis é uma associação de conservação a que estou ligado (neste momento, não em funções executivas, vou ver se consigo pôr em funcionamento um conselho consultivo que junta Hélia Marchante, António Salgueiro, Carlos Aguiar, Henk Feith, Humberto Rosa, Ivan Sellers, Luís Tiago Filipe, Nuno Neves, Pedro Braz Teixeira e Wouter de Broek) e que se foca na gestão de terrenos com objectivos de biodiversidade, não tendo posições de política.
Começou pequenina há dez anos e continua pequena ao fim de dez anos – tem à volta de 350 sócios que pagam uma quota anual de 25 euros – mas lá vai gerindo, como consegue, entre 300 e 400 hectares, espalhados por várias partes do país.
Uns terrenos são da Montis, que os comprou com recurso a crowdfunding (como se chamam agora as subscrições públicas), uma parte demasiado pequena para meu gosto, menos de 20 hectares, outros são de terceiros, com acordos de cedência de gestão que implicam algum tempo de garantia de gestão pela Montis, e zero troca comercial (em rigor nalguns terrenos que são da Altri Florestal, há um acordo de colaboração paralelo que implica que a Altri pague parte da gestão, mas não é esse o padrão).
Um dia, num almoço do Corta-fitas, apareceu na conversa uma doação de terrenos à Real Associação de Lisboa, que andava à procura de uma solução para a sua gestão, e daí resultaram conversas e acordos que desaguaram na cedência de gestão à Montis.
É do que se fala neste post da Montis, em que se dá conta de como, lentamente, se vai começando a intervir no terreno, sempre, sempre com o objectivo de produzir mais biodiversidade (de maneira geral, processos relativamente lentos, quer porque a Montis não tem recursos, quer porque é da natureza das coisas que a regeneração natural precise de tempo).
É certo que escrevo aqui sobre muitas outras coisas, mas do que gosto mesmo é disto, da capacidade de com pequenas acções, persistentemente no mesmo sentido, ir conduzindo uma paisagem no sentido de ser socialmente mais útil, com maior produção de biodiversidade.
Em relação ao que gostaria, há muita coisa que anda está longe, se usamos o fogo desde o princípio na gestão da biodiversidade, se usamos o voluntariado como forma de envolver pessoas na gestão da paisagem, se contamos com os processos naturais para os optimizar, a verdade é que outras ferramentas que exigem mais recursos, e recursos mais regulares, como o uso do pastoreio na gestão, ainda estão longe de poder ser usadas.
Apareçam e façam-se sócios, as quotas são dos vinte cinco euros mais bem gastos do ano, garanto eu.
O artigo foi publicado originalmente em Corta-fitas.