O Pavilhão Multiusos de Boticas recebe a XXVII Feira Gastronómica do Porco, evento que, anualmente, abre ciclo de eventos dedicados ao fumeiro na região norte do país. A edição 2026 irá realizar-se nos mesmos moldes das edições anteriores, de 8 a 11 de janeiro, com a duração de quatro dias, ou seja, de quinta-feira a domingo. São esperadas mais de 70 mil pessoas e comercializadas cerca de 40 toneladas de fumeiro, num volume de negócios de cerca de meio milhão de euros.
A iniciativa da Câmara de Boticas promete este ano novidades. Em entrevista à Gazeta Rural, o presidente da Câmara diz que “as expectativas são as melhores” para a edição deste ano, até porque “é um evento muito especial para nós”. Guilherme Pires diz que, no geral, “o conceito do certame é para manter”, mas “há uma mudança ou outra”, com “pequenas melhorias a nível de infraestruturas e de condições”.
Gazeta Rural (GR): Sendo este um evento consolidado, que expectativas tem para a edição 2026?
Guilherme Pires (GP): As nossas expectativas são as melhores, até porque este é um evento muito especial para nós, quer pela sua dimensão e pelos milhares de pessoas que atrai todos os anos até ao nosso território, quer para os nossos produtores de fumeiro tradicional, que são os principais impulsionadores do certame. Quem visitar Boticas durante o certame terá ao seu dispor, para além da gastronomia típica, os produtos regionais, as tradições, a cultura e a natureza. Durante o evento serão brindados ainda com a hospitalidade tão própria e característica do povo barrosão, porque estamos de braços abertos para receber todos os visitantes, seja por ocasião da Feira Gastronómica do Porco, ou em qualquer altura do ano.
GR: Há novidades nesta edição?
GP: Há algumas novidades nesta edição, embora, no geral, o conceito do certame seja para manter, mas há uma mudança ou outra. Depois destes 28 anos, cujo sucesso tem sido uma constante, focamo-nos apenas em afinar alguns pormenores, pequenas melhorias a nível de infraestruturas e de condições. Há sempre a preocupação de acrescentar algo diferente em cada edição, para atrair mais visitantes, mas sem perder a identidade da feira. Por isso, nesta edição haverá a criação do “cantinho dos petiscos”, uma zona destinada para refeições mais ligeiras, criando, assim, mais um espaço onde os visitantes poderão degustar os produtos endógenos do Concelho de Boticas. Haverá também algumas alterações, nomeadamente ao nível da disposição dos stands da feira. Também o horário de venda de fumeiro sofrerá alterações, encerrando às 20 horas em todos os dias do certame, continuando depois a funcionar as tradicionais tasquinhas e os restantes stands presentes no Pavilhão Multiusos.
Durante os quatro dias da feira, os visitantes poderão, para além da componente gastronómica e da comercialização de fumeiro, desfrutar de muita animação dentro e fora do recinto, com vários grupos de cantares tradicionais, artesanato e as afamadas “Chegas de Bois”. É uma excelente oportunidade para conhecer o concelho de Boticas.
GR: Tal como em edições anteriores, a aposta é na qualidade dos produtos à venda na feira, com controle de entrada?
GP: Sim, a qualidade dos produtos é a grande imagem de marca da nossa feira e a grande preocupação da organização é a de manter a qualidade dos produtos. A Feira do Porco não se resume apenas aos dias do evento, requer um trabalho contínuo ao longo de todo o ano, com a equipa veterinária municipal no terreno, monitorizando o processo de criação dos animais e, posteriormente, o abate e produção de fumeiro e enchidos. O rigoroso controlo de qualidade dos produtos é fundamental para garantir o sucesso da Feira do Porco, cumprindo estritamente as regras de higiene e segurança alimentar exigidas por lei em todas as fases do processo.
GR: Que efeito tem tido a feira no setor da pecuária do concelho?
GP: A nossa feira é um importante impulsionador para a economia local, nomeadamente para os produtores que vendem a totalidade do fumeiro que produzem de forma artesanal. O segredo da qualidade dos produtos disponibilizados na feira é secular e tem passado de geração em geração, num negócio que se mantém essencialmente familiar.
GR: Olhando para 2025, que balanço faz ao setor primário no concelho?
GP: Boticas é um concelho essencialmente rural, onde o setor primário tem uma grande relevância em termos económicos, quer como atividade principal, quer como atividade complementar.
Infelizmente, os mais jovens não estão a abraçar este setor tanto como eu gostaria, e esse é um dos grandes desafios que temos pela frente, procurando atrair gente jovem para esta atividade. Há muitos anos que a autarquia tem vindo a implementar vários apoios neste setor, para que estas atividades sejam cada vez mais atrativas, sobretudo para os jovens, e consequentemente contribuir para a fixação de população no nosso concelho. Mas temos a consciência das dificuldades que os agricultores atravessam. Fazemos aquilo que está ao nosso alcance para apoiar estas pessoas a manter a agricultura e a pecuária como fonte de sustento e como rendimento complementar dos agregados familiares.
GR: Que ‘salto’ falta dar aos produtos da região?
GP: A autarquia está atenta e tem vindo a implementar alguns apoios neste setor, de forma que estas atividades sejam cada vez mais atrativas, sobretudo para os mais jovens, mas temos a consciência das dificuldades que existem para os agricultores. Este é, sem dúvida, um dos grandes desafios que temos, que é manter a agricultura e a produção de gado como setores atrativos e responsáveis pela geração de riqueza, apostando na qualidade dos produtos endógenos, contribuindo para a criação de cadeias de comercialização e escoamento dos produtos da agricultura local.
GR: Que mensagem quer deixar para 2026?
GP: Quero deixar um convite a todos e relembrar a excelente qualidade dos produtos, que é um dos principais motivos para os milhares de pessoas que se deslocam ao Concelho de Boticas durante a realização do evento, para além da nossa fantástica gastronomia, a nossa hospitalidade, tão característica do povo de barrosão. Por isso, visitem Boticas e deixem-se encantar pela Sedução da Montanha!
O artigo foi publicado originalmente em Gazeta Rural.