A freguesia de Santo André, no concelho de Santiago do Cacém, vai receber o XI “Festival da Enguia da Lagoa de Santo André – Mostra Gastronómica”, de 23 de janeiro a 8 de fevereiro, trazendo de volta os sabores autênticos desta típica iguaria regional. Durante 17 dias os visitantes podem degustar especialidades como enguia de caldeirada, de escabeche, de ensopado, na cataplana, frita ou grelhada, nos restaurantes aderentes.
Considerado um dos mais aguardados eventos gastronómicos da região, o festival tem como principal objetivo impulsionar e dinamizar a economia local, através da promoção de um produto de excelência e emblemático, – a enguia da Lagoa de Santo André.
À Gazeta Rural, o presidente da Câmara de Santiago do Cacém, Buno Gonçalves Pereira, diz que este evento pretende “divulgar a enguia como espécie autóctone da costa de Santo André”, bem como “divulgar as potencialidades deste território”. O autarca diz que Santiago do Cacém “tem uma oferta muito grande e muito específica a nível de restauração, com experiências gastronómicas únicas”.
Gazeta Rural (GR): Este festival já é um clássico. Qual é o intuito deste festival?
Bruno Gonçalves Pereira (BGP): O que pretendemos com este festival é divulgar a enguia como espécie autóctone desta região da costa de Santo André, e da Lagoa de Santo André em concreto, e, ao mesmo tempo, divulgar as potencialidades deste território, nomeadamente a zona da praia da Costa e da Lagoa de Santo André. Ao mesmo tempo, temos o objetivo de atrair turistas fora da época mais forte, ou seja, combater a sazonalidade do turismo, com visitas neste período de inverno a um local que é mais visitado, pela ordem natural das coisas, na época balnear.
GR: O turismo gastronómico hoje é uma aposta dos municípios, também nessa região?
BP: É, sem dúvida. Posso apenas falar por Santiago do Cacém, mas do que vejo à volta, o Litoral Alentejano, e estes cinco concelhos, aposta na divulgação dos seus produtos e muitos deles são gastronómicos. No caso de Santiago do Cacém, temos o mel, que é um produto natural, e o gin, que é uma bebida processada, – e temos duas marcas muito fortes no concelho, – como são as Alcomonias, doces típicos da freguesia de Santo André, e os folares caraterísticos do concelho de Santiago do Cacém.
Ou seja, com toda esta riqueza, e aqui falamos da enguia, pretendemos mostrar, divulgar e criar uma envolvência maior com a vinda de turistas, com aquilo que é a vontade de provar estas iguarias locais, proporcionando estes encontros. Tenho conhecimento de pessoas que vêm de propósito nesta altura e que depois regressam também no verão.
GR: Que diria, ou que conselhos dá a quem nunca foi a Santiago do Cacém ou há muito tempo por aí não passa?
BP: Diria, em primeiro lugar, que tem estado a perder muito. Depois, talvez não dê conselhos, mas sim sugestões. Santiago do Cacém tem uma oferta muito grande, e específica, a nível de restauração, com experiências gastronómicas únicas. Tem uma oferta para turismo e de hotéis muito grande, espalhada pelos nossos 1059 quilómetros quadrados. É um concelho bastante grande e há hotéis e alojamentos para todos os gostos, desde urbanos, rurais, campestres ou mesmo isolados de praticamente toda a experiência de contacto com a civilização.
Portanto, há uma oferta grande à espera de quem vem. Felizmente teremos a curto prazo a autoestrada desde Grândola Norte até Santiago do Cacem, o que permite a vinda de turistas, por exemplo, de Lisboa em cerca de 50 minutos e uma ida para o Algarve em pouco mais de uma hora. Esta oferta, – que tem mar, campo, gastronomia, descanso e, tem também, muita vida e atividade, além do património e da constante presença de espetáculos culturais de música, de teatro e de dança, – é também um atrativo cada vez maior e completa. Depois temos o “safári parque” e as tais experiências gastronómicas muito ricas a nível de restauração e também do conceito de petisco.
O artigo foi publicado originalmente em Gazeta Rural.