
Em entrevista ao “CA”, o vice-presidente da Câmara de Castro Verde, David Marques, reconhece que o Festival Sabores do Borrego, que arranca nesta sexta-feira, 4, assume-se “como uma forte aposta na valorização da economia local, do mundo rural e da identidade do concelho”.
Quais as expectativas para a edição deste ano do Festival Sabores do Borrego?
As expetativas estão em linha com a trajetória de crescimento e consolidação do festival a que temos assistido durante as últimas edições. Em 2025 realiza-se a sexta edição desta iniciativa, que se assume como uma forte aposta na valorização da economia local, do mundo rural e da identidade do concelho de Castro Verde e da sub-região do Campo Branco. A aposta no festival tem permitido inovar nas propostas apresentadas, na atração de mais expositores e no crescimento do número de visitantes. Em 2025 a expetativa é continuar a crescer e a chegar a novos públicos. Para isso, vamos voltar a ter um festival com uma programação cultural diversificada e com um intenso programa de conferências e palestras, focando a inovação e a investigação, de que destacamos, por inédito, a realização das conferências “Terras do Borrego”, em parceria com Sousel. A gastronomia e a valorização do borrego como produto de excelência vai estar em evidência, com mais momentos de showcooking, e vamos ter um novo espaço de exposição de ovinos, com melhores condições para os mesmos.
“A tradição da agropecuária extensiva deste território tem no festival uma montra privilegiada, um momento de encontro, de promoção e de reconhecimento dum dos traços fundamentais que definem Castro Verde como Reserva da Biosfera.”
Qual a mais-valia deste evento?
Este evento tem a virtude de evidenciar e colocar na agenda as apostas e os desafios do setor agropecuário. Por outro lado, enquanto organização partilhada – entre o Município, a Associação de Agricultores do Campo Branco e o Campo Branco – Agrupamento de Produtores Agropecuários –, constitui-se como momento de afirmação económica e social de Castro Verde, assente na sua identidade, e de troca e de partilha com outros territórios. Desta preocupação são exemplos a Semana Gastronómica que antecede a abertura do festival, que dá lugar de “protagonismo” ao borrego em todo o Campo Branco – Aljustrel, Almodôvar, Castro Verde e Ourique – nos restaurantes aderentes, ou o facto de em cada edição o festival acolher um território convidado. Em 2025 esse território é o Município de Sousel.
Que importância tem este setor na economia local?
A tradição da agropecuária extensiva deste território tem no festival uma montra privilegiada, um momento de encontro, de promoção e de reconhecimento dum dos traços fundamentais que definem Castro Verde como Reserva da Biosfera classificada pela UNESCO. Os agricultores e produtores agropecuários são os principais responsáveis pela conservação e gestão da paisagem e dos valores naturais que tornam este território distintivo. Por outro lado, a capacidade de ter explorações agropecuárias mais dinâmicas está também dependente da importância que o mercado confere à carne do borrego e a todos os subprodutos, numa perspetiva de fileira, o que contribui para o aumento do valor acrescentado da atividade, permitindo gerar mais rendimento e melhores condições de sustentabilidade das explorações. Numa outra ótica, a agropecuária extensiva é decisiva na conservação da biodiversidade, gerando externalidades que podem ser impactantes no desenvolvimento do ecoturismo ou do turismo cultural.