A floresta da Madeira e as outras áreas arborizadas deste arquipélago ocupam um total de 37,5 mil hectares, cobrindo perto de 48% do território das ilhas da Madeira e Porto Santo. Os números são apresentados no terceiro Inventário Florestal desta Região Autónoma, que indica um aumento de 3,1 mil hectares na área florestal entre 2015 e 2025.
A área florestal da Região Autónoma da Madeira aumentou ligeiramente entre 2015 e 2025, com acréscimos nas florestas naturais e nas cultivadas.
Em 2015, quando foi publicado o segundo Inventário Florestal da Região Autónoma da Madeira – IFRAM2 – a floresta cobria 34,4 mil hectares, menos 3,1 mil do que os 37,5 mil hectares divulgados em finais de 2025, pelo mais recente Inventário Florestal da Região Autónoma da Madeira – o IFRAM3.
Em ambos os inventários, a classe “Floresta e outras áreas arborizadas” constitui a principal ocupação do solo. Entre 2015 e 2025 só as áreas florestadas e as “Áreas Urbanas” aumentaram a sua representatividade no território madeirense (as zonas urbanizadas ampliaram-se em 2 mil hectares). Estes acréscimos são feitos à custa da redução das outras classes em análise, com a diminuição mais representativa – menos 3,9 mil hectares – a registar-se nos solos ocupados pela “Agricultura”.
Classes de ocupação do solo
A grande maioria das áreas florestais e arborizadas – um total de 37,1 mil hectares – encontra-se na Ilha da Madeira e apenas 419 hectares cobrem o solo da Ilha de Porto Santo, onde não existe floresta natural.
Considerando as duas ilhas, a floresta da Madeira contava, em 2025, com:
- Florestas cultivadas – As mais representativas, com uma extensão próxima dos 19,6 mil hectares.
As florestas plantadas cobrem a maior área de floresta da Madeira, que aumentou 2,6 mil hectares face a 2015. Com este acréscimo, a floresta plantada passou a representar mais de metade (52,2%) da floresta madeirense, cobrindo um quarto do território da Região Autónoma.
Refira-se que nestas florestas cultivadas são consideradas as áreas em que as árvores foram introduzidas por plantação ou sementeira e as que se regeneram naturalmente a partir das anteriores.
- Florestas naturais, com cerca de 16,4 mil hectares.
As florestas naturais aumentaram a sua dimensão em pouco mais de mil hectares entre 2015 (ano em que totalizavam 15,3 mil hectares) e 2025. Esta floresta, que é sobretudo Laurissilva, equivale a perto de 44% da área total da floresta da Madeira. Cobre 21% do território da Região Autónoma.
- Outras áreas arborizadas, menos extensas, estendem-se por cerca de 1,5 mil hectares.
Estas áreas arborizadas reduziram-se e têm menos 570 hectares do que acontecia em 2015, não chegando a ocupar 2% do território madeirense.
Tipo de florestas e áreas arborizadas
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Nota: Os cálculos sobre classes de ocupação do solo e tipo de floresta foram efetuados com base nos dados do IFRAM2 e IFRAM3, considerando 78471 hectares de território total da Região Autónoma da Madeira (ilhas da Madeira e Porto Santo). Percentagens arredondadas.
As espécies que predominam na floresta da Madeira
A floresta Laurissilva corresponde a 98% da área de floresta natural, sendo os restantes 2% (326 hectares) áreas de floresta ripícola, ou seja, típica das margens de cursos de água. As espécies florestais que ocorrem com mais frequência são, por isso, várias autóctones que se mantêm na Ilha da Madeira desde a última glaciação.
Nestas florestas e de acordo com o IFRAM3, as cinco espécies mais frequentes são:
- Loureiro (Laurus novocanariensis): 57,95%;
- Til (Ocotea foetens): 9,27%;
- Folhado (Clethra arborea): 6,29%;
- Faia das ilhas (Myrica faia) 5,96;
- Vinhático (Persea indica) 4,97%.
A floresta natural encontra-se integralmente em “bom estado” de vitalidade, com menos de 10% das árvores a apresentar sinais significativos de desfoliação ou descoloração das folhas.
A floresta cultivada também tem, maioritariamente, “bom estado” de vitalidade, apesar de mais de um quinto (22%) dos povoamentos puros de pinheiro-bravo acusarem “mau estado”: mais de 40% das suas árvores têm perdas e descoloração das folhas.
Contudo, o pinheiro-bravo é apenas uma das espécies mais representativas na floresta plantada madeirense:
- Eucaliptos (Eucalyptus spp.), que representam 52% da área total de floresta cultivada, ocupam um total próximo dos 10,2 mil hectares;
- Acácias (Acacia spp.), que totalizam 21% da floresta cultivada (4,1 mil hectares). Refira-se que as várias espécies de acácia estão integradas na Lista Regional de Espécies Invasoras desde 2023 e a sua introdução, repovoamento, produção, transporte e transação ou oferta são proibidos por lei;
- Pinheiro-bravo (Pinus pinaster), que representa 12% (2,3 mil hectares);
- Castanheiro (Castanea sativa), que perfaz 3% da floresta cultivada (594 hectares);
- Pinheiro-de-Alepo (Pinus halepensis), que representa 90% da área florestal cultivada na Ilha do Porto Santo (375 hectares), surgindo no Inventário integrado no grupo “Outras resinosas”.
Estas espécies encontram-se maioritariamente em povoamentos mistos onde são dominantes, embora existam também povoamentos puros, que são mais representativos no caso dos eucaliptos e pinheiros-bravos.
Maiores produtividades e armazenamento de carbono
Relativamente aos volumes de produção das florestas cultivadas, os maiores contributos médios das “árvores em pé” vêm, em ordem decrescente, dos povoamentos mistos de castanheiro, dos puros de pinheiro-bravo e dos mistos de eucalipto. O eucalipto é a espécie que tem os maiores volumes em crescimento (componente viva das árvores, tanto em povoamentos puros como mistos).
A produção de biomassa é mais elevada nos povoamentos mistos onde o eucalipto é dominante, quer em termos de biomassa acima do solo (196 toneladas por hectare), quer de biomassa abaixo do solo – nas raízes (54 toneladas por hectare), o que contribui para uma biomassa total arbórea de 250 toneladas por hectare.
Neste sentido, os povoamentos mistos dominados por eucalipto apresentam também a maior quantidade de carbono armazenada na biomassa total arbórea: 125 toneladas por hectare, 98 das quais acima do solo e 27 toneladas abaixo. Juntamente com as 109 toneladas armazenadas na biomassa das árvores em povoamentos puros, o eucalipto contribui para um stock total de 234 toneladas de carbono por hectare, mais de um quarto das reservas totais das árvores florestais madeirenses.
O mesmo acontece com o CO2 equivalente sequestrado à atmosfera e armazenado na biomassa florestal (o CO2 equivalente – CO2 eq – quantifica diferentes gases com efeito de estufa, convertendo as suas emissões como se todas fossem dióxido de carbono): os povoamentos mistos de eucalipto armazenam 458 toneladas de CO2 eq por hectare na biomassa total arbórea, das quais 359 toneladas acima e 99 abaixo do solo. Considerando povoamentos puros e mistos, o eucalipto contribui para o armazenamento de 857 toneladas de CO2 eq por hectare, cerca de 27% do total que a floresta da Madeira tem reservado nas suas árvores.
Carbono e CO2 equivalente armazenado na biomassa total arbórea (toneladas por hectare)
No estrato intermédio da floresta – matos sob floresta – e ao nível da manta-morta, a biomassa, o carbono armazenado e o CO2 equivalente armazenado são mais elevados em povoamentos puros de pinheiro-bravo. Já nos resíduos lenhosos gerados pelos diferentes tipos de floresta (troncos e ramos grossos caídos) são os povoamentos puros de eucalipto a tomar a dianteira dos três indicadores.
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O artigo foi publicado originalmente em Florestas.pt.