Fogo: a evolução dos incêndios rurais em Portugal

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Nas duas primeiras décadas do século XXI, a área média anual percorrida pelo fogo mais do que duplicou em Portugal face ao decénio 1980-1989. Na década de 90, a média anual de área ardida ultrapassou os 100 mil hectares e na seguinte, entre 2000-2009, superou os 150 mil hectares.

Entre 2009 e 2018, os grandes incêndios (com áreas superiores a 100 hectares) foram responsáveis por 68% da área ardida, embora representassem apenas 0,66% das ocorrências registadas; mais recentemente, o número de incêndios de reduziu-se face à média anos anteriores, mas a área ardida não diminui proporcionalmente, confirmando que os incêndios ganharam maior dimensão e afetaram mais território.

Surgiu uma nova geração de incêndios, muito rápidos, muito intensos, impossíveis de extinguir e que causam danos catastróficos. São denominados incêndios de sexta geração e libertam tanta energia que têm a capacidade de alterar as características meteorológicas ao seu redor.

O primeiro registo de um megaincêndio (com dimensão superior a 10 mil hectares) data de 1986: o incêndio de Vila de Rei, que consumiu 10,032 mil hectares. Os seguintes ocorreram depois de 2000, com especial destaque para os anos de 2003, 2017 e 2025.

Entre 2000 e 2025 foram registados 37 megaincêndios, indicam as estatísticas de incêndios rurais do ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas. Deste total, nove aconteceram em 2003, 12 ocorreram em 2017 (o primeiro relatório da Comissão Técnica Independente indicava 11 em 2017) e seis em 2025.

Em junho de 2017, em Pedrógão Grande, ocorreu o primeiro incêndio na Europa qualificável como sendo de sexta geração. Em outubro, ocorreu o segundo.

O artigo foi publicado originalmente em Florestas.pt.


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