análise depende do tipo de informação. Por exemplo, nós estamos a monitorar um ciclone tropical e, para monitorar um ciclone tropical, nós não podemos gastar 30 minutos porque é muita informação envolvida. Então, esta informação toda, estando num sistema único, num sistema automatizado, em vez de nós levarmos, por exemplo, duas a três horas, nós podemos levar uma hora e tirarmos [o alerta]”, disse Mussa Mustafa, diretor-geral adjunto do Inam.
De acordo com o responsável, que falava à margem do lançamento de um projeto com a Finlândia, o serviço meteorológico moçambicano leva atualmente uma média de três horas para analisar e interpretar informações para depois emitir um alerta, sublinhando que tal atraso tem impacto negativo nas comunidades.
“Nós temos os fenómenos meteorológicos que estão a assolar o país e precisamos fazer o seu acompanhamento. O acompanhamento desses fenómenos requer o uso de tecnologias e hoje em dia existem várias tecnologias avançadas, desde o uso dos radares tecnológicos, com tecnologia inovadora e uso dos satélites meteorológicos”, explicou.
O diretor-geral adjunto do Inam explicou ainda que a análise antecipada das informações deve resultar no que vai acontecer “no terreno”, para que as comunidades tomem medidas antecipadas.
O Inam emitiu hoje um aviso amarelo face à aproximação de uma depressão tropical que deverá provocar chuva e ventos fortes no sul, quando o país já regista cheias generalizadas e tem populações sitiadas.
O aviso prevê a ocorrência de “chuva moderada a forte e vento forte, com rajadas até 70 quilómetros por hora, que poderá agitar o estado do mar”, provocando ondas até quatro metros.
“Adicionalmente, prevê-se também a ocorrência de ventos com rajadas nos distritos costeiros da província de Maputo, Gaza e Inhambane”, lê-se no aviso do Inam, que refere ainda que a depressão tropical encontra-se no Canal de Moçambique.
O total de mortos na época das chuvas em Moçambique subiu para 114, com seis pessoas desaparecidos, 99 feridas e quase 680 mil afetadas, segundo dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).
De acordo com a base de dados do INGD, consultada hoje pela Lusa, com números de 01 de outubro até ao final do dia 19 de janeiro, abrangendo já o atual período de cheias generalizadas no país, foram afetadas até ao momento 677.831 pessoas, equivalente a 141.818 famílias, com 11.367 casas parcialmente destruídas e 4.910 totalmente destruídas, agravando o balanço anterior.
Até sexta-feira era referido o total de 103 óbitos e 173 mil pessoas afetadas desde o início da época das chuvas em Moçambique, avançou nesse dia o Governo, decretando de seguida o alerta vermelho nacional.
Dos 83 centros de acomodação abertos desde o início da época das chuvas, 72 permanecem agora ativos, com 88.525 pessoas, incluindo as 58.616 que tiveram de ser retiradas das áreas evacuadas, segundo os mesmos dados do INGD.
Hoje prosseguem ações e tentativas de resgate de centenas de famílias que continuam sitiadas pelas cheias, algumas refugiadas em telhados de casas, sobretudo em Maputo e Gaza, sul de Moçambique, resultado das fortes chuvas, quase ininterruptas desde há vários dias, e que estão a obrigar as barragens, incluindo dos países vizinhos, a aumentar fortemente as descargas, por falta de capacidade.
Estão envolvidos nestas operações, condicionadas pelo estado do tempo, cerca de uma dezena de meios aéreos.
Em Maputo, as estradas Nacional 1, para norte, e Nacional 2, para sul, continuam intransitáveis, devido à subida das águas.
Leia Também: Cheias em Moçambique. Portugal envia 300 mil euros para apoio humanitário