sta posição sobre a História recente de Portugal foi assumida pelo ex-chefe do Estado-Maior da Armada após ter deposto uma coroa de flores junto a um monumento dedicado aos antigos combatentes, em Macedo de Cavaleiros, distrito de Bragança.
Henrique Gouveia e Melo começou por defender a ideia de que “um povo que não preserva a sua memória e não respeita as pessoas que deram a vida pelo seu país é também um povo que compromete o seu presente e o seu futuro”.
“Quando saímos de África, abandonámos milhares de combatentes que combateram por nós. Fizemos uma injustiça tremenda. Muitos deles, combatentes africanos, foram imediatamente sacrificados, perderam as suas vidas”, disse.
Segundo o almirante, nas guerras do ultramar, esses militares africanos estavam a combater por Portugal, disponíveis para morrer pelo país.
“E em relação aos nossos combatentes que regressaram aconteceu que, durante muito tempo, ignorámos esses combatentes. Parecia que tínhamos vergonha deles. Isso foi muito indigno”, advogou.
Na perspetiva do candidato presidencial, em Portugal, “só muito recentemente se tentou, de alguma forma, corrigir esse erro”.
“Só corrigimos o erro de forma tardia e com um complexo qualquer que não consigo perceber. Os antigos combatentes sentem verdadeiramente essa chaga na sua memória e no seu coração”, declarou.
Ainda de acordo com o almirante, “Portugal esqueceu-se desse sacrifício” dos antigos combatentes “e parece, ou pelo menos pareceu, que a certa altura até tinha vergonha desse sacrifício”.
“Um combatente por Portugal, quando combate por Portugal, não é responsável pelas decisões políticas que o levaram a combate. Está a combater pelo seu país, pela sua pátria, mal ou bem – e é isso que ele está a fazer”, acrescentou.
Antes de ter deposto uma coroa de flores no monumento dos antigos combatentes, o ex-chefe do Estado visitou o quartel dos Bombeiros de Macedo de Cavaleiros. Antes, ao fim da manhã, tinha estado no quartel dos Bombeiros Voluntários de Mirandela.
“Tenho a honra de ter recebido dos bombeiros duas medalhas”, revelou, aparentemente, numa alusão às funções que teve pelas Forças Armadas no auxílio ao combate contra os incêndios florestais de Pedrógão Grande em 2017.
Leia Também: Três dias, três mortes à espera de socorro. INEM garante “transparência”