primeira mensagem que eu transmiti foi de solidariedade com a situação de calamidade em Moçambique, sobretudo nas províncias de Maputo e Gaza, devido as cheias das últimas semanas”, referiu aos jornalistas Ana Isabel Xavier, após uma reunião com a ministra moçambicana de Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria Lucas, em Maputo.
A governante destacou a vontade de Portugal para continuar a ajudar Moçambique, recordando a chegada, nas próximas horas, de ajuda enviada pelo Governo português, anunciada terça-feira.
“Portugal foi o primeiro país a ter uma missão avançada para a situação, chegou logo no dia 22 de janeiro, mas transmiti (…) o total apoio e compromisso de Portugal em apoiar o país e apoiar os moçambicanos”, disse ainda a secretária de Estado.
Ana Xavier avançou que a reunião com a chefe da diplomacia de Moçambique serviu ainda para reforçar a relação bilateral “tão positiva” e dar seguimento aos mecanismos de implementação dos 22 acordos assinados, “de forma histórica”, na cimeira bilateral realizada em 09 de dezembro, no Porto.
Na reunião, discutiu-se também a revisão do Programa Estratégico de Cooperação, que vai vigorar entre 2027 e 2031, disse a governante que adiantou o destacamento, ainda este ano, de uma missão técnica do Instituto Camões a Moçambique para iniciar as primeiras diligências de diagnóstico e avaliação do Programa Estratégico de Cooperação ainda em vigor e “preparar já o próximo”.
A ministra de Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria Lucas, assegurou que os cerca de 22 acordos assinados em Portugal estão na fase de ratificação pelo Governo moçambicano, manifestando agradecimento pelo apoio do país face à situação das cheias.
“Queríamos agradecer a Portugal pelo apoio, um gesto extraordinário, atempado, a resposta foi mesmo atempada e (…), já um montante significativo, que foi aprovado pelo governo português, mas também a este voo que está chegando”, enalteceu a ministra moçambicana.
A Lusa noticiou na terça-feira que a ajuda que Portugal vai enviar para Moçambique para apoiar a população inclui um contingente de 36 militares, podendo ser aumentado até um máximo de 100 efetivos da Força de Reação Imediata (FRI), com várias valências, peritos, material e 300 mil euros, segundo o gabinete do primeiro-ministro português.
Seguirão ainda 300 mil euros, através do Camões — Instituto da Cooperação e da Língua, uma verba já anunciada e que irá dar apoio à resposta humanitária, no quadro da coordenação pelas Nações Unidas/OCHA.
Dois peritos do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) nas áreas das barragens, infraestruturas e gestão de cheias, que irão integrar a equipa da Avaliação e Coordenação de Desastres das Nações Unidas (UNDAC), com 400 kits de higiene, 125 kits de cozinha e 15 tendas, também fazem parte deste apoio português, que inclui um perito nacional na área da saúde.
O número de mortos nas cheias das últimas semanas em Moçambique subiu hoje para 15, com 700 mil afetados, segundo dados provisórios do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).
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