Guerras, imigração e desastres climáticos entre vencedores regionais do World Press Photo 2026

Palestinianos acorrem para obter sacos de farinha de um camião de ajuda humanitária, junto a um ponto de distribuição de alimentos em Zikim, após o exército israelita ter declarado uma “pausa tática” nas operações militares, no norte da Faixa de Gaza, a 27 de julho de 2025 (reeditada a 09 de abril de 2026). Esta imagem, do fotógrafo Mohammed Saber da EPA Images, venceu um prémio World Press Photo 2026 na categoria de fotografias individuais da Ásia Ocidental, Central e do SulMohammed Saber / EPA

As guerras na Ucrânia, Gaza e Sudão, manifestações de protesto, incêndios florestais e a violência da política de imigração nos Estados Unidos dominam os trabalhos vencedores dos prémios World Press Photo de 2026 nas categorias regionais, anunciados esta quinta-feira.

Este é um momento crucial para a democracia, para a verdade, para a questão do que nós, enquanto sociedade, estamos dispostos a ver e denunciar ou a ignorar”, disse a presidente do júri global do concurso de 2026, Kira Pollack, investigadora do Centro Shorenstein da Universidade de Harvard, no anúncio dos 42 vencedores regionais. “Os fotógrafos aqui reconhecidos fizeram a sua parte. Deixaram a sua marca. Agora é a nossa vez de olhar”, afirmou.

A violência das detenções do ICE, Serviço de Imigração e Controle de Fronteiras dos Estados Unidos, expressa numa fotografia de Carol Guzy, para o Miami Herald, as manifestações de protesto em Portland, no Ohio, pelo fotógrafo freelancer Jan Sonnenmair, e da Universidade de Colômbia, contra a guerra em Gaza, por Alex Kent para o jornal The New York Times, estão entre as imagens da América do Norte e Central candidatas a fotografia do ano, assim como o trabalho de Ethan Swope sobre os incêndios de Los Angeles, para a Associated Press.

Da América do Sul, destacam-se os fotógrafos brasileiros Priscila Ribeiro, com “Um Território de Esperança”, projeto dedicado “aos desafios da habitação no Brasil”, e Eduardo Anizelli, para o jornal Folha de S. Paulo, com uma reportagem sobre a violência policial nas favelas do Rio de Janeiro.

Deste continente contam-se também imagens de protestos na Argentina, contra o presidente Javier Milei, por Tadeo Bourbon, para a revista Mu, das consequências devastadoras do uso de agroquímicos na agricultura, por Pablo E. Piovano, num trabalho para as fundações Manuel Rivera Ortiz e Philip Jones Griffi, dos “Manacillos”, festas tradicionais de comunidades afrodescendentes, por Ever Andrés Mercado Puentes, e a tristeza de “crianças que crescem sem pais”, na Colômbia, por Ferley A. Ospina.

A crise humanitária de Gaza, em fotografias de Saber Nuraldin, para a EPA Images, e de Saher Alghorra, para o New York Times, a situação das mulheres no Afeganistão, por Elise Blanchard, para a revista Time, e pelo freelancer Diego Ibarra Sánchez, estão entre os testemunhos do Médio Oriente.

A guerra no Sudão, por Abdulmonam Eassa, para o jornal Le Monde, a impacto da poluição no Egito, por Mohamed Mahdy, para o Programa Árabe de Documentário Fotográfico, o abate de um elefante, no Zimbabué, captado por Halden Krog, para o Daily Mail, protestos da Geração Z, em Madagáscar, por Luis Tato, para a France-Presse, e alunas de dança numa escola da África do Sul, por Ihsaan Haffejee, contam-se entre as fotografias que permitem perceber as muitas realidades de África.

Da Ásia e Oceânia chegam fotografias das manifestações no Nepal, por Narendra Shrestha, para a EPA Images, do incêndio no condomínio de Hong Kong que causou 128 mortos, por Tyrone Siu, para a Reuters, do atentado de Bondi, na Austrália, por Edwina Pickles, para o Sydney Morning Herald, e do impacto das alterações climáticas, nas Filipinas, por Aaron Favila, para a Associated Press.

Na Europa, domina a violência da guerra na Ucrânia, em imagens como as de Evgeniy Maloletka, para a Associated Press, e de David Guttenfelder, para o New York Times, assim como dos incêndios no sul do continente, através da reportagem de Brais Lorenzo, para a Efe e o jornal El País.

Há também testemunho das condições de envelhecimento da população, no projeto de Sanna Sjöswärd, para o jornal sueco Corren, e do uso da inteligência artificial, no projeto “Emma the Social Robot”, de Paula Hornickel.

Os vencedores regionais do concurso World Press Photo 2026, anunciados esta quinta-feira, num total de 42 fotógrafos e perto de 140 imagens da atualidade, foram selecionados a partir de 57.376 fotografias de 3.747 fotógrafos de 141 países. Todas as imagens escolhidas estão disponíveis no site da World Press Photo.

O prémio foi criado em 1955 pela fundação World Press Photo, sediada em Amesterdão. Em 2025, o Prémio Fotografia do Ano foi atribuído à fotógrafa Samar Abu Elouf pela imagem de Mahmoud Ajjour, um menino palestiniano de 09 anos, mutilado pela guerra em Gaza. A fotógrafa portuguesa Maria Abranches esteve entre os 42 vencedores regionais.

A Foto do Ano 2026 será anunciada no dia 23.

Continue a ler este artigo no ECO.


Publicado

em

,

por

Etiquetas: