Herdade do Vale de Manantio, um reduto do turismo de caça: “é mais rentável que a agricultura”

O cenário é paradisíaco, com a piscina infinita, o amarelo da terra pontilhado pelo verde das azinheiras e, ao fundo, o Alqueva. Há actividades na barragem e passeios a cavalo e de balão. Mas, a partir de Outubro, o foco não é para todos: é a caça e o turismo em seu redor, explica o proprietário, João Maria Bravo. Aqui, 90% dos hóspedes são estrangeiros.

Abrimos a porta do carro, não pusemos ainda um pé no chão e já Baco, grande e silencioso, espera que lhe façamos uma festa. O enorme cão castanho acolhe-nos e segue-nos para todo o lado, encosta-se a nós com a expectativa que lhe demos colo e, quando ninguém está a ver, salta para a piscina, tornando todo o ambiente mais acolhedor e descontraído, como se estivéssemos a passar uns dias em casa de familiares. A Herdade do Vale de Manantio fica perto de Moura e será um dos últimos redutos de turismo de caça, acredita João Maria Bravo, o seu proprietário.

Depois de Baco, é Andreia quem nos dá as boas-vindas e faz um périplo pela casa de família, antes de chegarmos ao nosso quarto. Ao todo são 14 – número que inclui apenas uma suíte, que fica mais afastada do coração da casa. A entrada faz-se por uma sala que parece um museu e que é uma homenagem ao pai e ao avô de João Maria Bravo, conta a funcionária. No quarto onde ficamos há um pesado livro com a história da família Bravo, que chegou de Espanha, há já alguns séculos.

Espanha é uma fonte de inspiração para João Maria Bravo, admite o próprio à Fugas. Foi lá que aprendeu como se faz turismo de caça. “E copiei”, resume. Aprendeu com os espanhóis a cativar os estrangeiros que chegam a partir de Outubro para a caça à perdiz, ao pato ou à lebre. A herdade tem uma exploração de perdizes com milhares de aves que, à medida que vão crescendo, são soltas e andam pela propriedade de mil hectares. Outrora, era maior, mas 700 hectares ficaram debaixo de água com a construção do Alqueva. Quando soube da decisão, anunciada pelo pai, chorou, admite, mas a indemnização foi boa, reconhece. “Ficámos com seis quilómetros de margem, o que é brutal”, continua.

De volta à sala dos troféus. O avô e o pai do “senhor doutor”, como designa Andreia, eram caçadores, mas os seus troféus não são apenas as cabeças dos animais que caçaram em África, há outros de tiro. O avô foi o fundador do Clube Português de Tiro a Chumbo, em Lisboa, em 1935; e o pai acabaria por […]

Continue a ler este artigo no Público.


Publicado

em

,

por

Etiquetas: