Incêndios florestais são a maior preocupação climática das empresas do PSI

Os riscos físicos associados a incêndios florestais são apontados como “os mais preocupantes” por 14 empresas do índice PSI, segundo a edição de 2025 do Relatório Anual sobre a Exposição do Mercado de Capitais ao Risco Climático, publicado esta terça-feira pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). O regulador destaca que os eventos climáticos extremos podem afectar gravemente a continuidade operacional das empresas e a integridade de infra-estruturas críticas.

No documento, divulgado a 30 de Dezembro, os incêndios florestais surgem como a ameaça física predominante para a generalidade dos emitentes. Entre os principais efeitos previstos, destacam-se a “disrupção da actividade”, identificada por 36% das empresas analisadas, e a deterioração de activos físicos, apontada por 32% das entidades.

Cerca de 70% dos riscos reportados são de natureza aguda, decorrentes de eventos súbitos como tempestades, vagas de calor ou incêndios.

Foco na redução de emissões

Para esta análise, a CMVM baseou-se nos relatos de sustentabilidade de 2024, divulgados no início de 2025. Das 15 empresas que compõem o PSI, refere o relatório, uma foi excluída da amostra da CMVM por elaborar o seu relato de sustentabilidade ao abrigo de “lei pessoal estrangeira”.

Embora as estratégias de mitigação variem consoante o sector, as matérias-primas utilizadas e a visão de gestão, a redução das emissões de gases com efeito de estufa (GEE) permanece como o compromisso central, representando 64% das metas climáticas totais. Em contraste, as metas associadas à eficiência energética (12%) ou à utilização de energias renováveis (cerca de 10%) têm uma expressão significativamente menor.

A CMVM observa ainda que as informações prestadas pelos emitentes são ainda predominantemente de natureza qualitativa, o que limitou a capacidade de comparação quantitativa rigorosa entre elas.

Imobiliário mais exposto

O relatório centra-se igualmente na análise dos riscos físicos que impendem sobre os Organismos de Investimento Alternativo (OIA) em activos imobiliários nacionais. Aqui, o risco de incêndio e o stress hídrico são as preocupações dominantes, variando a exposição consoante a localização e o tipo de utilização dos imóveis.

A CMVM analisou uma carteira de 1722 imóveis detidos por 16 fundos de investimento. Embora o risco médio agregado seja considerado limitado ou moderado, a probabilidade histórica de incêndio nestes activos situa-se nos 0,56%, valor superior à média da União Europeia (0,49%).

Os imóveis industriais revelam-se os mais vulneráveis ao fogo, com uma probabilidade média de ocorrência de 1,38%, seguidos pelos activos de logística (1,02%) e habitação (0,98%).

Paralelamente, os segmentos de logística e habitação são os mais pressionados pelo stress hídrico, apresentando níveis de risco de 0,88 e 0,85, respectivamente. A CMVM conclui que estes fundos poderão estar a operar em áreas onde a procura de água se aproxima dos limites sustentáveis.

Apesar de o mercado de dívida sustentável (ESG) ter continuado a expandir-se na área do euro em 2024, estes instrumentos representam ainda uma parcela reduzida, de apenas 7,2%, do total de emissões de dívida. Em Portugal, verifica-se um aumento do stock de dívida ESG, embora o interesse permaneça modesto quando comparado com a média europeia.

O relatório sublinha, por fim, o papel essencial dos mercados de capitais no financiamento da transição para uma economia mais sustentável. com Lusa

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