A Resina Natural voltou a assumir um papel estratégico na bioeconomia portuguesa. Extraída do pinheiro-bravo (Pinus pinaster), esta matéria-prima renovável e biodegradável integra hoje uma nova geração de soluções industriais sustentáveis, ao mesmo tempo que reforça a ligação entre a floresta, o território e as pessoas.
Historicamente ligada à economia rural e à gestão florestal, a fileira da Resina Natural conheceu um período de forte declínio ao longo das últimas décadas. No entanto, o seu potencial esteve sempre presente, aguardando uma oportunidade. É neste contexto que o Projeto Integrado RN21 – Inovação na Fileira da Resina Natural para Reforço da Bioeconomia Nacional, cofinanciado pelo PRR, permite revitalizar e modernizar toda esta cadeia de valor, desde a floresta à indústria, até aos mercados.
Liderado pelo CoLAB ForestWISE e reunindo 36 parceiros, o Projeto RN21 apostou numa abordagem integrada, assente em ciência, inovação e valorização territorial. Ao nível da produção florestal, foram desenvolvidos programas de melhoramento genético para aumentar a produtividade das árvores e introduzidos métodos de resinagem mecanizada, que permitem reduzir o esforço físico dos resineiros, aumentar a rentabilidade e obter uma resina mais limpa e de maior qualidade. Além disso, foram promovidas ações de formação e capacitação, fundamentais para atrair novos profissionais e garantir a continuidade desta atividade, tendo sido também criada a Academia do Resineiro.
Os impactos do RN21 estendem-se à indústria transformadora, com investimentos na modernização tecnológica, robotização e digitalização dos processos produtivos. Estes avanços permitiram o desenvolvimento de novos derivados e biopolímeros com incorporação de Resina Natural, abrindo caminho a aplicações inovadoras em setores como o automóvel, calçado, têxtil, alimentar e agrícola. Em várias soluções, foi possível integrar entre 5% e 30% de derivados de Resina Natural em novos materiais, substituindo matérias-primas de origem fóssil e reduzindo a pegada ambiental dos produtos finais.
Para além da inovação tecnológica, a Resina Natural assume uma dimensão social e territorial relevante. A presença dos resineiros na floresta contribui para a gestão ativa do território, para a limpeza de matos e para a deteção precoce de incêndios, reforçando a resiliência das áreas florestais e criando emprego em regiões de baixa densidade populacional. A valorização desta atividade traduz-se, assim, em benefícios diretos para as comunidades locais e para a coesão territorial.
Resinae® – Pinaster Natural Resin: um sistema de valorização e rastreabilidade
No seguimento dos resultados alcançados, surge a Resinae® – Pinaster Natural Resin, uma marca de diferenciação e valorização da Resina Natural de pinheiro-bravo. Assente em critérios de rastreabilidade, sustentabilidade ambiental e responsabilidade social, que permitirá identificar produtos com incorporação de Resina Natural proveniente de florestas europeias geridas de forma sustentável, promovendo transparência e competitividade no mercado. A rotulagem associada indicará a percentagem de Resina Natural incorporada no produto final, reforçando a confiança dos mercados e dos consumidores.
Os resultados do RN21 demonstram que a Resina Natural pode voltar a ocupar um lugar central na economia portuguesa, conciliando inovação industrial, valorização florestal e desenvolvimento territorial. Entre tradição e ciência, floresta e indústria, a Resina Natural afirma-se como um recurso estratégico para uma bioeconomia mais sustentável, inclusiva e ligada às pessoas.
recuperarportugal.gov.pt
Projeto Integrado RN21 – Inovação na Fileira da Resina Natural para Reforço da Bioeconomia Nacional, é cofinanciado pelo Fundo Ambiental através da Componente 12 – Promoção da Bioeconomia Sustentável – Investimento TC-C12-i01 – Bioeconomia Sustentável – Aviso N.o 01/C12-i01/2021 e N.o 02/C12-i01/2021, dos fundos europeus atribuídos a Portugal pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), no âmbito do Mecanismo de Recuperação e Resiliência (MRR) da União Europeia (EU), enquadrado no Next Generation UE, para o período de 2021 – 2026.