egundo um comunicado da organização não-governamental (ONG), o Ministério da Construção e Habitação de Israel concordou com o projeto, que prevê a edificação das casas no colonato de Adam, erguido em terrenos expropriados à aldeia palestiniana de Jaba.
“A primeira vez desde 1967 que Jerusalém se expande para a Cisjordânia”, afirmou a ONG em relação ao projeto autorizado por Telavive, acusando o executivo de promover uma “anexação de facto pelas portas do fundo” sob o pretexto de criar um novo colonato.
De acordo com a Paz Agora, o plano foi concebido de modo a apresentar as novas unidades como uma extensão do colonato de Adam, embora não exista continuidade física entre as áreas, que seriam separadas pela Autoestrada 437, via que liga o posto de controlo de Hizma a Mishor Adumim.
O projeto inicial, apresentado em outubro de 2025, incluía a construção de 2.970 casas em terrenos situados entre as comunidades palestinianas de Al Ram e Hizma.
Embora a área em causa esteja fora dos limites municipais de Jerusalém, a ONG sustenta que o novo bairro, destinado à população ultraortodoxa, irá funcionar “em todos os aspetos” como parte integrante da cidade e como um prolongamento do colonato de Neve Yaakov.
Entretanto, as autoridades israelitas aprovaram uma reforma da administração da Cisjordânia que amplia os seus poderes para autorizar a construção de novos colonatos judaicos, confiscar terras ou assumir a gestão de locais religiosos disputados, como o Túmulo dos Patriarcas, em Hebron, ou o Túmulo de Raquel, em Belém.
No domingo, o Governo israelita aprovou uma proposta para registar grandes áreas da Cisjordânia como “propriedade estatal”, pela primeira vez desde o início da ocupação, em 1967.
A iniciativa foi apresentada pelo ministro das Finanças e líder ultranacionalista Bezalel Smotrich, pelo ministro da Justiça Yariv Levin e pelo ministro da Defesa Israel Katz, com a intenção de regular as propriedades agrícolas e esclarecer o estado das áreas ocupadas na Cisjordânia, um processo burocrático cuja complexidade levou Israel a abandoná-lo há décadas.
Em reação, a Autoridade Palestiniana (que governa em partes da Cisjordânia), o Hamas, o Egito e o Qatar rejeitaram a decisão de Israel de reabrir o processo de registo de terras na Cisjordânia ocupada, alertando que as novas medidas aumentam os receios de um “início de facto de um processo de anexação” do território.
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