Macário Correia, o ex-governante de Cavaco que produz laranjas e limões

O antigo secretário de Estado do Ambiente, Macário Correia, detesta quem faz do ócio profissão: “Custa-me ver, a meio da manhã, gente – que não está de férias – a comer bolos, fumar e tomar café nas esplanadas”

O político a quem foi a atribuída a frase “Beijar uma mulher que fuma é como lamber um cinzeiro” vive hoje junto ao Pego do Inferno, no interior do concelho de Tavira. O seu dia-a-dia é passado na terra onde nasceu, Barranco da Nora. “Basicamente estou concentrado na actividade agrícola. Levanto-me às cinco da manhã, trabalho até às dez da noite”, diz, acabando de chegar, conduzindo um tractor, com caixas de limões. O comprador, que fará a distribuição pelos centos de consumo locais, aguarda. “Não venho atrasado, pois não”, pergunta, olhando o relógio. Pontualidade, acima de tudo. Os três trabalhadores asiáticos ao seu serviço, esperam por ordens. Macário Correia dá o exemplo. Desata a carregar caixas de fruta, sob um calor tórrido.

Da militância política activa, haveria de confessar pouco depois, diz-se afastado. “Não tenho nenhum cargo político e nem quero ter. Tenho sido auscultado, desafiado para muitas coisas, mas não quero”. O ex-secretário de Estado do Ambiente e antigo candidato a presidente da Câmara de Lisboa, trata da horta, produz laranjas, limões e alfarrobas, nas terras que herdou dos pais.

Os tempos em que integrou a equipa dos “laranjinhas” que fizeram parte do governo de Cavaco Silva, aparentemente, passaram à história. Mas a política corre-lhe nas veias, como o suor que escorre pela testa, quando trabalha no campo. Nas últimas eleições autárquicas ensaiou um regresso à câmara de Tavira, onde tinha sido presidente até ao limite dos mandatos. Candidatou-se a presidente da Assembleia Municipal de Tavira, mas renunciou ao lugar de deputado municipal. “Não tomei posse porque não quis fazer figura de parvo”. O fazer “figura de parvo”, justifica, tem a ver com o facto de ter encabeçado a lista mais votada pela população, mas depois com o voto dos presidentes de junta, socialistas, não teria hipótese de vencer a eleição interna. “Iria tomar posse, dirigia a cerimónia (enquanto representante da lista do PSD, a mais votada), e depois, no fim, batia palmas ao tipo que perdeu as eleições contra mim”, explica.

O comprador da fruta acaba de carregar tonelada e meia de limões. A laranja já passou a época alta, mas os limões estão a sair bem. Sumo com fartura, vê-se quando espreme o fruto. O número de trabalhadores, diz, sobe de três para nove ou dez, quando as tarefas exigem mais mão-de-obra. “Têm contrato, fazem com todos os descontos, e possuem cartão de saúde”, enfatiza. Porque recorre ao serviço de imigrantes? “Não há trabalhadores portugueses, já fiz várias tentativas, via Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), mas é uma perda de tempo. Estão a ganhar o subsídio, e depois […]

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