
Sempre que Marciana Rego pensa na sua vida, sempre que faz balanços ou contas entre o deve e o haver do seu percurso, chega à mesma conclusão: a Caixa Agrícola dos Açores determinou quase tudo o que conquistou profissionalmente. Na verdade, nunca considerou ter um emprego. Para ela, desde o primeiro minuto, era de um projeto que se tratava e um projeto nunca está acabado. Tinha horas para entrar, mas para sair sempre foi mais complicado, saía quando podia, por vezes esquecia-se até de que precisava de descansar. Até no fim de semana. Ganhavam todos: a Caixa, as pessoas, os Açores e ela. Sentia-se realizada a ajudar os outros.
Marciana nasceu em 1949, filha mais nova de uma família com oito irmãos muito bem distribuídos, quatro rapazes e quatro raparigas. Nasceu na freguesia das Capelas, na ilha maior de São Miguel. A sua família era grande, alegre e próspera. Teve uma boa infância, com brincadeiras, devoção a Deus e ao Espírito Santo, e liberdade. Uma liberdade que sempre usou para fazer o que lhe foi apetecendo em cada momento, mais do que aquilo que os outros achavam ser o melhor para ela. Não se casou, não teve filhos e dedicou-se à Caixa, a primeira mulher nos Açores a trabalhar num banco. O pai, Mariano, era comerciante e dono de várias mercearias, um empreendedor. Tantos anos depois da partida dos pais, continua a agradecer-lhes a oportunidade de ter pensado sempre pela sua cabeça.