
A produção de morangos e pequenos frutos está sob pressão devido ao mau tempo persistente no sul da Europa e no Norte de África, e essa realidade pode ter impacto também em Portugal, sobretudo nos preços e na disponibilidade pontual de alguns produtos frescos.
Nas últimas semanas, chuvas intensas e tempestades em Espanha e Marrocos afetaram zonas agrícolas estratégicas para o abastecimento europeu. Estes dois países são fornecedores importantes de fruta e legumes nesta altura do ano, incluindo para o mercado português, especialmente quando a produção nacional ainda não está em pleno.
De acordo com produtores espanhóis da região de Huelva, uma das principais áreas exportadoras de morango, citados pelo jornal britânico Daily Express, as quebras podem chegar a cerca de 50% face ao ano anterior. As intempéries não prejudicaram apenas as culturas no terreno, mas também infraestruturas de armazenamento, embalagem e transporte.
O que pode mudar nas compras em Portugal
Portugal importa uma parte relevante dos morangos e frutos vermelhos consumidos fora do pico da época nacional. Quando há problemas nas origens, a consequência mais imediata tende a ser menor oferta e maior pressão sobre os preços. Para já, não há indicação de falhas generalizadas nos supermercados portugueses. No entanto, é expectável que possam surgir oscilações pontuais, quer na disponibilidade de morangos, quer noutras frutas sensíveis como framboesas e amoras.
Especialistas do setor, citados pela mesma fonte, admitem que, quando não existem origens alternativas viáveis no curto prazo, o mercado ajusta-se através do preço. Ou seja, o produto pode continuar a existir, mas com valores superiores aos habituais.
Pequenos frutos são os mais vulneráveis
Além dos morangos, também as framboesas e amoras estão particularmente expostas a este tipo de fenómenos meteorológicos. São culturas delicadas, com ciclos curtos e grande sensibilidade ao excesso de água.
Se as condições adversas se prolongarem, o impacto pode refletir-se durante várias semanas. Em paralelo, outros produtos frescos como pimentos ou abacates também poderão sofrer restrições temporárias, caso as cadeias logísticas fiquem condicionadas. Em Portugal, esta situação coincide com um período em que o consumo de fruta fresca continua elevado, o que aumenta a atenção dos consumidores a qualquer alteração nas prateleiras.
Apelo à normalidade nas compras
As associações do setor têm deixado, de acordo com a mesma fonte, uma mensagem clara: não faz sentido antecipar compras ou acumular produto. O chamado “efeito de pânico” pode agravar artificialmente a perceção de escassez e acelerar o esgotamento de stocks que, de outra forma, seriam suficientes.
Quando muitos consumidores decidem levar mais do que o habitual, a rotatividade natural dos frescos é perturbada. Num mercado já pressionado pela meteorologia, esse comportamento pode amplificar dificuldades temporárias.
Para quem notar preços mais elevados, a recomendação passa por optar por fruta da época produzida em Portugal ou comparar diferentes origens disponíveis. A diversificação é, nestes momentos, a forma mais simples de equilibrar a fatura semanal.
Um impacto que depende do tempo
Tudo dependerá agora da evolução das condições meteorológicas nas próximas semanas, de acordo com o Daily Express. Se o clima estabilizar, a produção poderá recuperar gradualmente e normalizar o abastecimento europeu.
Até lá, o cenário mais provável em Portugal não é de rutura, mas sim de ajustamentos pontuais na oferta e nos preços dos morangos e de alguns pequenos frutos. Para o consumidor, a palavra-chave é moderação, tanto nas expectativas como no carrinho de compras.
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