m plenário, em resposta a uma intervenção inicial do ministro dos Assuntos Parlamentares, Carlos Abreu Amorim, o líder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, começou por referir a sua posição de “solidariedade institucional” perante “momentos tão dramáticos que algumas populações estão a viver”.
Depois, dirigiu-se ao ministro Carlos Abreu Amorim: “Não pense que vem aqui passar um pano por aquilo que aconteceu nas últimas 24 horas e, de alguma forma, querer passar o pano pela inação e falta de planeamento da proteção civil”.
Seguiu-se uma forte reação de protesto de vários deputados, sobretudo os da bancada do PSD.
O presidente do Grupo Parlamentar do PS criticou “o silêncio da ministra da Administração Interna”, Maria Lúcia Amaral, “que não aparece, como não apareceu em agosto com os incêndios” florestais.
“O distrito Leiria está em grandes dificuldades: autarcas, proteção civil local estiveram a tentar apoiar mas, em muitas circunstâncias, a única coisa que tiveram foi uma declaração do primeiro-ministro a dizer que avaliaria mais tarde e ponderaria o estado de calamidade. Mais uma vez, o Governo, tal como no apagão, tal como nos incêndios, primeiro tenta perceber se passa a onda e, depois, vem aqui tentar passar um pano por 24 horas de silêncio”, advogou.
O líder parlamentar do CDS, Paulo Núncio, de imediato, manifestou repúdio pela intervenção de Eurico Brilhante Dias: “Não posso deixar de condenar a leviandade e a ligeireza com que tentou aproveitar a tragédia, a morte e a perda de muitos portugueses para atacar o Governo”.
Já o ministro dos Assuntos Parlamentares manifestou-se surpreendido com o estilo adotado por Eurico Brilhante Dias e disse estar certo que se arrependerá do que dissera. Sobre o silêncio da ministra Maria Lúcia Amaral, justificou: “Quando o primeiro-ministro está, não vale a pena outros membros do Governo falarem”.
“Há liderança neste Governo e há uma contradição insanável na análise [de Eurico Brilhante Dias] que é apelar à responsabilidade e ao compromisso, mas, depois, de forma lamentável, usar esta tragédia num momento de dor para fazer um aproveitamento político lamentável”, reagiu.
No mesmo sentido, o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, apontou que o presidente da bancada do PS foi cabeça de lista por Leiria, onde ficou a mais de 20 pontos de distância do partido vencedor. E acusou-o de tentar, “agora, na tragédia, na desgraça, cavalgar alguns pontos políticos”.
Uma das intervenções mais duras contra o PS partiu do líder parlamentar do Chega, Pedro Pinto, que falou em “memória curta”.
“Em 2017, quando foram os incêndios de Pedrógão, no distrito Leiria, onde andou o PS? [O então primeiro-ministro] António Costa estava de férias e não apoiou aquelas populações. O PS é cúmplice de tudo o que tem acontecido na proteção civil”, sustentou. As referências a António Costa foram depois desmentidas pelo líder parlamentar do PS.
Pela parte da Iniciativa Liberal, Mário Amorim Lopes, defendeu que houve falhas na prevenção e nas respostas à intempérie, designadamente ao nível do SIRESP.
“Autarquias que foram diretamente afetadas por este flagelo, nomeadamente a Câmara da Fogueira da Foz, dizem que não tiveram qualquer contacto do Governo”, referiu, antes de a deputada do PAN, Inês Sousa Real, ter pedido que a declaração de calamidade abranja associações de proteção de animais.
Tal como o PS e Iniciativa Liberal, também o PCP, Livre e Bloco de Esquerda criticaram a atuação do Governo, com a líder da bancada comunista, Paula Santos, a acusar o executivo de estar “a deixar para as calendas gregas as respostas urgentes às populações”.
A líder parlamentar do Livre, Isabel Mendes Lopes, lamentou que “não se tenha aprendido com o que se passou com o apagão” do ano passado em termos de adoção de medidas que pudessem minimizar os efeitos das recentes tempestades.
O deputado do Bloco de Esquerda, Fabien Figueiredo, assinalou que se sabia que o país ia ser o centro geográfico da passagem de “um comboio de depressões” climatéricas. Por sua vez, Filipe Sousa, do JPP, deixou sobre a necessidade de pagamentos em tempo útil: “Os ciclos agrícolas e os apoios às autarquias afetadas não esperam pela burocracia”.
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