ma delegação liderada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Gideon Saar, aterrou em Hargeisa. Ele foi recebido no aeroporto por autoridades do governo [da Somalilândia]”, anunciou a presidência do território em comunicado.
Em 26 de dezembro, Israel tornou-se o primeiro país a reconhecer a Somalilândia como um “Estado independente e soberano” desde a sua secessão, em 1991, da Somália, que mergulhou no caos após a queda do regime militar do autocrata Siad Barre.
Embora Israel tenha invocado, em 30 de dezembro, o direito de “manter relações diplomáticas” com os países à sua escolha, a decisão foi criticada por muitos países africanos e do mundo muçulmano, e vista como um ataque à soberania somali.
O Presidente da Somália, Hassan Sheikh Mohamud, afirmou na quarta-feira que a Somalilândia aceitou três condições de Israel, sendo essas a reinstalação de palestinianos no território, o estabelecimento de uma base militar no Golfo de Áden e a adesão aos acordos de Abraão, que visam normalizar as relações com o país.
As duas primeiras alegações foram consideradas falsas na quinta-feira pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da Somalilândia, para quem o acordo entre os dois países é “puramente diplomático”.
O reconhecimento do país e “a chegada de Israel não causarão violência, não trarão conflitos e nunca prejudicarão ninguém”, afirmou no final de dezembro o ministro da Presidência da Somalilândia, Khadar Hussein Abdi.
“Isso não prejudicará nem a Somália, nem os árabes, nem ninguém”, afirmou, acrescentando que a colaboração com Israel seria em áreas que permitissem melhorar “a economia, produção agrícola, nas quais Israel se destaca, e da água”.
Analistas consideram que uma aliança com a Somalilândia é particularmente vantajosa para Israel devido à sua posição estratégica no estreito de Bab-el-Mandeb, em frente aos rebeldes huthis do Iémen, apoiados pelo Irão, que realizaram vários ataques contra o país desde o início da guerra em Gaza.
A Somalilândia, desde a sua proclamação unilateral, funciona de forma autónoma, com a sua própria moeda, exército e polícia, e distingue-se pela sua relativa estabilidade em comparação com a Somália, minada pela insurreição islâmica do grupo extremista Al-Shebab e pelos conflitos políticos crónicos.
Este território não é reconhecido oficialmente por nenhum país, com exceção agora de Israel, o que o mantém num certo isolamento político e económico, apesar da sua localização na entrada do estreito de Bab-el-Mandeb, numa das rotas comerciais mais movimentadas do mundo, ligando o Oceano Índico ao Canal do Suez.
A Rússia considerou que o reconhecimento da Somalilândia por parte de Israel vai contra a soberania, a integridade territorial e a unidade da Somália, segundo a missão diplomática do país na ONU citada na TASS.
A África do Sul também se juntou à rejeição do reconhecimento deste território, expressando preocupação e alertando para a violação da soberania da Somália e para a ameaça da estabilidade do Corno de África.
Num comunicado conjunto, os ministros dos Negócios Estrangeiros da Somália, da Turquia, do Egito e do Djibuti expressaram receio de que o acordo de Israel com a Somalilândia esteja diretamente ligado à guerra de Gaza e que o Estado separatista somali possa tornar-se o destino de uma deslocação forçada e ilegal do povo palestiniano.
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