“O Conselho de Ministros decidiu adiar o início do ano letivo, em todo território nacional, para o dia 27 de fevereiro de 2026”, refere-se no comunicado final da reunião ordinária daquele órgão, realizada em Xai-Xai, província de Gaza, a mais atingida pelas cheias de janeiro, que já afetaram neste período quase 700 mil pessoas em todo o país.
No comunicado da reunião, presidida pelo Presidente moçambicano, Daniel Chapo, a decisão de adiar em quase um mês o arranque do ano letivo de 2026 é justificado pelas 431 unidades escolares “afetadas” em todo o país.
O número inclui 281 salas de aulas que “estão destruídas totalmente, 80 escolas são centros de acolhimento, 218 escolas encontram-se sitiadas, 167 sanitários foram destruídos”, refere-se, acrescentando que a situação afeta 427.289 alunos e 9.204 professores.
A reunião em Gaza, acrescenta-se no comunicado, permitiu aferir “os danos causados às infraestruturas públicas e privadas, bem como seu impacto sócio-económico”, e estabelecer “as directrizes para o Plano Global de Reconstrução Pós-Cheias”.
Por outro lado, foram ainda aprovadas medidas para “assegurar o funcionamento adequado dos Centros de Acomodação” e “garantir o acesso contínuo à água potável e energia elétrica”, além de se “anular as dívidas de consumo de água nas escolas que funcionam como Centros de Acomodação, do período de outubro a dezembro de 2025, e isentar do pagamento os consumos das escolas que funcionam como Centro de Acomodação, no período de janeiro a março de 2026”.
Também serão substituídos os contadores de eletricidade pré-pago por pós-pago nas escolas que funcionam como Centros de Acomodação, a ser assegurado pela estatal Electricidade de Moçambique.
O número de mortos nas cheias das últimas semanas em Moçambique subiu hoje para 14, com quase 155 mil casas inundadas, segundo dados provisórios do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).
De acordo com a base de dados do INGD, a que a Lusa teve acesso e com dados até às 15:30 (13:30 de Lisboa) de hoje, as cheias que se registam em vários pontos do país já afetaram 691.522 pessoas, equivalente a 151.962 famílias, ainda com 14 mortos – mais dois face a segunda-feira -, 3.447 casas parcialmente destruídas, 771 totalmente destruídas e 154.797 inundadas.
Os dados do INGD referem ainda 45 feridos e quatro desaparecidos na sequência destas cheias, desde 07 de janeiro, numa altura em que famílias ainda aguardam resgate, sobretudo no sul de Moçambique.
Desde o início da época das chuvas, em outubro, incluindo as últimas semanas de cheias, já morreram 137 pessoas em Moçambique, além de 148 feridos e 812.335 pessoas foram afetadas, segundo os dados do INGD.
Até 16 de janeiro, era referido o total de 103 óbitos e 173 mil pessoas afetadas desde o início da época das chuvas em Moçambique (que vai de outubro a abril), avançou nesse dia o Governo, decretando de seguida o alerta vermelho nacional.
Segundo os dados de hoje, estão atualmente ativos 100 centros de acomodação (11 foram entretanto encerrados), com 94.657 pessoas. Nesta atualização, contabiliza-se ainda que foram afetadas, desde 07 de janeiro, 229 unidades sanitárias e 353 escolas, quatro pontes e 1.336 quilómetros de estrada.
Atualmente, prosseguem ações e tentativas de resgate de famílias sitiadas pelas cheias, sobretudo em Maputo e Gaza, sul de Moçambique, resultado das fortes chuvas durante vários dias, que têm levado as barragens, incluindo dos países vizinhos, a realizarem descargas, por falta de capacidade de encaixe.
A União Europeia, os Estados Unidos, Portugal, Noruega e Japão, além de países vizinhos da África austral, já anunciaram e enviaram ajuda humanitária de emergência.
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