um comunicado, a missão explicou que o Exército israelita informou no domingo a FINUL de que “iria realizar uma atividade aérea com o lançamento do que descreveram como uma substância química não tóxica sobre áreas próximas da Linha Azul”, que marca a fronteira entre os dois países.
Segundo a FINUL, as Forças de Defesa de Israel (FDI) indicaram igualmente que “os militares da missão de manutenção da paz [conhecidos como ‘capacetes azuis’] deveriam manter-se afastados e abrigados”, o que levou à suspensão de mais de uma dezena de atividades nas imediações da Linha Azul.
“As forças de paz não puderam realizar operações normais perto da Linha Azul ao longo de cerca de um terço da sua extensão e só conseguiram retomar as atividades normais mais de nove horas depois”, referiu a missão, acrescentando que os operacionais da FINUL “apoiaram as Forças Armadas libanesas na recolha de amostras para a realização de testes de toxicidade”.
A FINUL sublinhou que “esta atividade é inaceitável e contrária à resolução 1701” do Conselho de Segurança da ONU, aprovada após o conflito entre Israel e o movimento xiita Hezbollah, em 2006, e que constitui um dos pilares do atual cessar-fogo em vigor desde novembro de 2024, após 13 meses de confrontos entre as partes na sequência dos ataques de 07 de outubro de 2023, conduzidos pelo Hamas no sul do território israelita e que desencadearam a guerra na Faixa de Gaza.
O movimento libanês Hezbollah e o grupo extremista palestiniano Hamas são aliados.
“As ações deliberadas e planeadas das FDI não só limitaram a capacidade das forças de paz para cumprir o seu mandato, como também colocaram potencialmente em risco a sua saúde e a dos civis”, afirmou a missão, manifestando ainda preocupação com o eventual impacto destas substâncias químicas em terrenos agrícolas e no regresso dos civis às suas casas.
A FINUL salientou que “não é a primeira vez que as FDI lançam substâncias químicas desconhecidas a partir de aeronaves sobre o Líbano” e recordou ao Exército israelita que “os voos de aviões sobre o território libanês constituem uma violação da resolução 1701”.
Também frisou que “qualquer atividade que coloque em risco as forças de paz e os civis é motivo de grave preocupação”.
“Instamos novamente as FDI a pôr termo a todas estas atividades e a cooperar com as forças de paz para apoiar a estabilidade que todos procuramos alcançar”, concluiu a FINUL.
Até ao momento, o Exército israelita não se pronunciou sobre este incidente.
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